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16 de mar de 2011

Al Capones evangélicos

Al Capones evangélicos

Por J. Lee Grady, editor da Revista Charisma:

Houveum tempo em que Al Capone controlava toda a cidade de Chicago. Onotório gangster da década de 1920 subornou o prefeito, comprou apolícia e, como um rei, presidiu um império de cassinos, redes decontrabando e botecos em pleno vigor da Lei Seca. Ele se esquivou dasbalas por muitos anos e viveu acima da lei – ganhando assim a reputaçãode “intocável” porque ninguém podia levá-lo à justiça.

Antesque Capone fosse finalmente preso em 1932, ele justificou seus crimesdizendo: “Tudo o que faço é para atender a demanda do público.” Elenunca assumiu responsabilidade pelo estrago que causou porqueprefeitos, policiais, líderes comunitários e estelionatários o apoiaramtodo o tempo.

Odeioter que comparar ministros de Deus a um mafioso. Mas a triste verdade éque atualmente há alguns (talvez mais do que só alguns) pastores quepossuem algumas das características mais abomináveis de Al Capone. Sãomestres do engano e da manipulação. Eles compraram seu espaço nasubcultura evangélica carismática e usaram suas místicas habilidadeshipnóticas para controlar grandes redes de TV cristãs.

Mas a exemplo de Al Capone, seus dias estão contados. A Justiça logo os agarrará.

Estesfalsos profetas provavelmente começaram com um chamado genuíno da partede Deus, mas o sucesso os destruiu. Eles se desviaram da fé verdadeirae foram seduzidos pela fama e pelo dinheiro; quando seus ministérioscresceram, eles apelaram a táticas questionáveis para manter a máquinareligiosa rodando. Mas agora, em meio à Grande Recessão Americana, Deusestá tratando com eles.

Masantes que nos regozijemos por estes impostores estarem sendo despejadosde seus púlpitos e varridos das emissoras, pausemos por um minuto ereflitamos: como tais falsos profetas alcançaram tanta popularidade?Jamais teriam conseguido sem a nossa ajuda.

Nósfomos os idiotas. Quando eles diziam: “O Senhor lhes dará riquezasincontáveis se vocês semearem mil dólares agora”, imediatamentepegávamos o telefone e nossos cartões de crédito. Que Deus nos perdoe.

Nósfomos os cegos. Quando eles diziam: “Preciso que hoje vocês façam umaoferta sacrificial para que eu possa consertar meu jatinho particular”,sequer perguntávamos por que um servo de Deus não era humilde osuficiente para voar em classe econômica para alguma nação de TerceiroMundo. Que Deus nos perdoe.

Nósfomos os tontos. Quando ficávamos sabendo que eles estavam vivendo emimoralidade, maltratando suas esposas ou povoando cidades com seusfilhos bastardos, dávamos ouvidos às suas desculpas ao invés de exigirque estes pastores vivessem como verdadeiros cristãos. Que Deus nosperdoe.

Nósfomos os ingênuos. Quando eles imploravam por dois milhões de dólaresextras para tapar algum rombo no orçamento, nos sentíamos incomodadosem perguntar por que eles precisavam dormir em suítes de hotel cujadiária custava dez mil dólares. Na verdade, sempre que questionávamosalgo, outro cristão rapidamente retrucava: “Não critique! A Bíblia diz‘Não toque o ungido do Senhor!’” Que Deus no perdoe.

Tratamosestes charlatões como Al Capones, como se eles fossem intocáveis, ecomo resultado a corrupção se espalhou pelas igrejas carismáticas comouma praga. Nosso movimento está contaminado pelo materialismo, orgulho,engano e imoralidade porque tivemos medo de dizer o que estes palhaçosrealmente são: inseguros, egoístas, egocêntricos e emocionalmenteconfusos.

Setivéssemos aplicado discernimento bíblico há muito tempo atrás,teríamos evitado todo este caos. Jamais saberemos quantos incrédulosrejeitaram o Evangelho porque viram a Igreja apoiando pilantras que segabavam, coagiam, mentiam, manipulavam, subornavam, roubavam e, comlágrimas, conquistavam espaço em nossas vidas – enquanto os aplaudíamose depositávamos dinheiro em suas contas.

Sempreque cristãos bem intencionados citam 1 Crônicas 16:22 (“Não toqueis osmeus ungidos e não façais mal aos meus profetas”) para encobrir asujeira e o charlatanismo, eles cometem uma injustiça contra asEscrituras. Esta passagem não ordena que nos calemos quando um líderestá abusando do poder ou enganando as pessoas. Pelo contrário, somoschamados a confrontar o pecado em amor e honestidade. E certamente nãoestamos amando a Igreja se permitimos que os Al Capones carismáticos denossa geração a corrompam.

Fonte: Charisma Magazine. Tradução: Pão & Vinho.

Divulgação: www.jorgenilson.com

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