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21 de jan. de 2011

Vodu no Haiti. "Tem sacrifício humano sim", diz uma praticante.

Reportagem do iG visita terreiro de vodu no Haiti

Local de culto abre as portas e mostra os seus artefatos. Praticante explica os tipos de vodu e os misteriosos rituais da religião


Foto: Vicente SedaAmpliar

Marie Rosemarite, mulher do chefe do terreiro de vodu no Haiti, abriu as portas e mostrou os artefatos religiosos

Vodu, magia negra, Haiti. Os três termos são sempre relacionados quando o assunto é uma religião que sincretiza tradições cristãs e africanas e que, apesar de reconhecida oficialmente na Constituição do país de 1987, atrai rumores de que incluiria sacrifícios humanos, transformação de pessoas em “zumbis” e até canibalismo.

Praticante do vodu, Marie Rosemarite, uma senhora de sorriso simpático, recebeu a reportagem do iG em sua casa marcada com o símbolo característico dos terreiros: uma bandeira do Haiti ou uma vermelha e preta, tremulando durante o dia, recolhidas à noite.

O terreno, humilde, que serve também como orfanato, abriga o desconhecido. A escuridão da estrutura abalada no terremoto de janeiro de 2010 em Tabarre, bairro de Porto Príncipe, pede uma lanterna para ser visitada ao cair da tarde, substituída por dezenas de velas durante as cerimônias, que normalmente acontecem nas noites de sexta e domingo ou em datas específicas que, como na umbanda, não raramente coincidem com o calendário católico.

Por cuidar de crianças, a casa já recebeu ajuda dos brasileiros da Missão de Estabilização da ONU (Minustah, na sigla em francês). Mas, segundo um oficial brasileiro, alguns dos soldados teriam ficado assustados. Ele disse que, ao verem o que acreditaram ser um crânio humano, os militares contaram discretamente o número de crianças no local com receio de que fossem usadas em sacrifícios. O suposto crânio, porém, não foi visto pelo iG.

Questionada, Rosemarite afirmou que no terreiro do seu marido, que estava trabalhando no momento da visita da reportagem, não há sacrifício humano. Explicou que a modalidade de vodu praticada no local só inclui sacrifício de animais (bois, bodes e galinhas) em datas específicas, em oferendas às entidades.

Foto: Vicente Seda

A parte externa do terreiro de vodu no Haiti, onde funciona o orfanato

“O nosso vodu é Franc Guinen, os outros, que envolvem sacrifício humano, são o Sampoil, Bizango e Makamba. Tem vodu que é direito, outros não, existem para fazer o mal. Nós sabemos que matam pessoas, mas não fazemos isso. O chefe do terreiro desse tipo de vodu se chama bruxo de duas mãos”, disse a senhora. Essas modalidades de vodu seriam praticadas, de acordo com os nativos, com mais frequência no norte do país e em Léogâne, ao sul de Porto Príncipe.

Os cômodos do terreiro

Sente-se um calafrio quando se entra em uma sala sem qualquer iluminação, onde estão os artefatos religiosos. Cada cômodo tem uma finalidade, um tipo de espírito a convocar.

Na primeira sala, uma estante coberta com um pano vermelho e outro branco. Em seguida, outra parecida, com um móvel coberto por pano vermelho. Por fim, uma com artefatos cor de rosa, a sala para trabalhos amorosos. Só é possível enxergar tudo isso após o flash da câmera ser disparado.

Depois surge uma sala maior, mas completamente destruída pelo terremoto. “Vamos entrar, mas não podemos ficar muito tempo aqui. É arriscado”, adverte Rosemarite, referindo-se ao perigo de colapso do local.

No canto esquerdo, um pequeno túmulo feito com um pedaço de telha e uma cruz de cimento. O teto côncavo, pintado de azul, realça um grande artefato de madeira, chamado “Tronco do meio”. É onde são convocados os espíritos mais fortes, explicou. O tronco, pontiagudo, traz duas serpentes entrelaçadas, também em madeira. Dali para frente, só escombros. Foi impossível continuar.

As datas do vodu

Rosemarite contou quais são algumas das datas importantes da religião. As principais são os dois primeiros dias de novembro, quando se realiza a “Festa dos Mortos”. Nela, sacrificam-se animais no terreiro.

Na véspera de Natal, 24 de dezembro, é preparado um banho de proteção para as crianças do orfanato. Em 6 de janeiro, há a “Festa do Papa Loco”, uma das entidades locais. Esse é o dia dos espíritos no vodu. Os dias 1º e 2 de maio são de “Cousin (primo) Zaka”, espírito que trabalha a terra e, por isso, usam-se frutas como oferenda. Em 24 de junho, celebra-se o dia de “Tijan Dantó”, equivalente a São João Batista no catolicismo.

O primeiro cômodo das cerimônias do vodu no Haiti. Cada objeto tem uma razão de ser
Foto: Vicente Seda

O primeiro cômodo das cerimônias do vodu no Haiti. Cada objeto tem uma razão de serIniciar slideshow

As práticas e os sacrifícios

Com um pouco de hesitação, Rosemarite começa a responder perguntas sobre os sacrifícios do vodu. Apesar de reiterar que seu terreiro não faz sacrifícios humanos, reconhece que, em alguns casos, podem ser feitos trabalhos de “ataque”. “Por exemplo, se o marido troca sua mulher por outra e a ex-mulher pede um trabalho para reconquistar seu amado, fazemos uma cerimônia para ‘colocar fogo’ na casa (tornar a vida do novo casal insuportável) até que o marido volte para a mulher. Mas a gente não mata.”

Nas ruas do Haiti, ouvem-se rumores macabros, mas não há como comprovar até onde vão os boatos e começa a verdade.

Segundo alguns relatos, os sacrifícios humanos seriam realizados pelos “bruxos” de maior poder nos cultos. As vítimas seriam escolhidas na rua para serem mortas e terem olhos e corações extraídos. De acordo com o que relataram à reportagem, os órgãos seriam comidos e o sangue, bebido.

Os zumbis

Outra simbologia relacionada ao vodu haitiano é o da figura dos zumbis, cuja descrição não é nada parecida com a dos mortos-vivos dos filmes “trash” da moda em Hollywood.

A vítima a ser transformada em zumbi seria envenenada com substâncias misteriosas (uma delas retirada do peixe Baiacu), que só o autor do trabalho saberia o antídoto. Após ser induzida ao coma pela toxina, a vítima seria enterrada temporariamente para ficar com danos irreversíveis no cérebro. Após ser “ressuscitada”, se tornaria um zumbi sob o comando do bruxo que fez o trabalho.

De acordo com a crença local, os zumbis andariam como pessoas normais, mas teriam olhar vago, perdido, e não conseguiriam falar normalmente.

Foto: Vicente Seda

Não é raro ver imagens representando santos católicos nos terreiros de vodu no Haiti

Apontando para o fundo do seu terreiro, Rosemarite relatou o que seria um suposto caso de zumbi.
“Ali atrás, um homem supostamente matou outro. A pessoa foi enterrada, mas um ou dois dias depois apareceu andando, com as mãos amarradas nas costas. Os autores do trabalho o levaram até a frente da casa de sua família e o espancaram brutalmente. Não sei qual espécie de mal ele havia feito para ter esse castigo. O zumbi não tem vontade própria, não revida, só obedece. É usado para trabalhar para uma pessoa, seja em uma horta, ou para outras coisas piores”, disse.

Como o vodu no Haiti é praticado a portas fechadas, onde a entrada de uma pessoa de pele branca raramente é bem vista, um estrangeiro dificilmente conseguirá comprovar todas essas histórias.

Caça aos bruxos

Embora o vodu no Haiti já tenha sido uma religião extremamente popular, começa a perder espaço para outras vertentes, como o evangelismo. Isso porque há uma rejeição dos haitianos a quem pratica o vodu para fazer o mal.

Entre militares e alguns haitianos comenta-se que alguns dos chefes de terreiro têm sido assassinados sob a acusação de recorrer a uma prática hedionda. Em vez de sacrifícios, usariam os chamados “lenços do cólera” para disseminar a doença, que deixou quase 3,9 mil mortos desde outubro no país.

“Cerca de 40 sacerdotes do vodu foram assassinados nos últimos meses. Parte da população acredita que eles foram responsáveis pela disseminação do cólera no país”, disse o embaixador do Brasil no Haiti, Igor Kipman.


Divulgação: www.jorgenilson.com

20 de jan. de 2011

Teocracia socialista: a tirania em nome da compaixão

Teocracia socialista: a tirania em nome da compaixão

Usando o Estado para impor sobre a sociedade um modelo pervertido da igreja primitiva judaica

Julio Severo
“Usar o modelo apostólico de administração de igreja para sustentar um sistema de governo que rouba em nome da compaixão é uma perversão da missão da igreja e da missão do Estado”.
Um apelo dramático à compaixão, principalmente pelos pobres, conquista infalivelmente a maioria dos corações. Se esse apelo não funcionasse, o nazismo e o comunismo jamais teriam feito tanto sucesso. Até mesmo o diabo, sem precisar se disfarçar de anjo de luz, pode hoje ser muito bem recebido em qualquer lugar se simplesmente alegar: Vim aqui ajudar os pobres!
Enquanto o nazismo naufragou em sua própria loucura, com renovados e inovados apelos o comunismo e suas várias metamorfoses estão conseguindo fazer suas loucuras sobreviverem — até hoje.
Um desses apelos inovados, feito especialmente para cativar populações nominalmente cristãs, diz que o socialismo começou no Novo Testamento.

Das profundezas da Grécia antiga

Na verdade, historicamente, a primeira proposta genuinamente socialista (ou comunista, dependendo da mega-variedade de rótulos que os marxistas usam para se encobrir) apareceu na obra A República, escrita pelo filósofo grego Platão, que viveu 400 anos antes de Cristo.
O plano de Platão para uma sociedade ideal era bem simples: Todos os homens e mulheres deveriam ter ocupações no mercado de trabalho. A propriedade privada deveria ser abolida, isto é, ninguém deveria ter casa própria nem propriedade. Dentro desse conceito, Platão queria que também as esposas fossem abolidas como “propriedade” privada do marido e que os filhos fossem abolidos como “propriedade” privada das famílias. As esposas estariam assim submetidas, como mulheres livres do casamento, a todas as vontades do Estado. E todas as crianças pertenceriam ao Estado.
Assim, em vez de pertencer a um só homem, as mulheres estariam “livres”, disponíveis para todos os homens. Em vez de criar em seu próprio lar seus próprios filhos, a mulher estaria “livre” para trabalhar a vida inteira no mercado de trabalho, fazer sexo com qualquer homem e todas as crianças concebidas seriam criadas pelo Estado.
Como um visionário, Platão viu muitíssimos séculos antes, a sociedade feminista e socialista “ideal”, onde a “igualdade” entre homens e mulheres reinaria de forma absoluta, dando às mulheres total liberdade de ocupar todas as funções masculinas, inclusive de soldados e policiais. O único problema que Platão via era a gravidez, que atrapalharia a mulher de ter a mesma liberdade que o homem tem de atuar em diversas profissões, sem as “interferências” previsíveis da natureza.
Muitos séculos mais tarde, os seguidores de Marx ressuscitariam as mesmas ideias de Platão, embora com muita cautela diante de ouvidos cristãos ou moralistas. Entretanto, invariavelmente as políticas socialistas acabam trazendo como consequência a desmoralização social, onde o casamento perde sua sacralidade e o sexo sem compromisso e sem casamento se tornam sagrados. Coincidência ou não, nas mais modernas sociedades socialistas, cada vez mais todas as crianças são “responsabilidade” de todos — eufemismo para a posse estatal — e todas as mulheres são de todos os homens. Falta muito pouco para a família e o casamento serem completamente abolidos como “maldita herança patriarcal”.
Mesmo com todas as suas propostas originais e resultados tão patentemente antifamília, o apelo religioso dos marxistas funciona. Cuidadosamente acobertando as ideias socialistas de Platão de 400 anos antes de Cristo, eles insistem em dizer: “O socialismo nasceu na igreja primitiva!”

O que ocorreu nas igrejas primitivas judaicas?

O que foi que aconteceu na igreja primitiva? Os 12 apóstolos tiveram a ideia de aplicar, exclusivamente nas igrejas judaicas, uma norma onde todos os membros deveriam entregar suas propriedades e outros bens aos apóstolos, para que esses recursos fossem administrados pela igreja.
Muito diferente da proposta de Platão e do próprio marxismo, que colocam o Estado no centro da administração e controle, a proposta dos apóstolos colocava a própria igreja no centro da administração e controle.
Muito diferente das ideias de Platão, que aboliam o lar e colocavam todas as mulheres no mercado de trabalho, a proposta dos apóstolos não destruiu o papel das esposas como trabalhadoras no lar. Nesse sentido, o modelo da igreja primitiva não tem nada a ver com o marxismo, que tira a mulher do lar, dando-lhe valor apenas no mercado de trabalho.
Muito diferente das ideias de Platão, que viam a gravidez como uma “interferência” da natureza contra a liberdade do Estado para a mulher ocupar todas as funções masculinas, na igreja toda gravidez era celebrada como manifestação da bênção de Deus. Nesse sentido, o modelo da igreja primitiva não tem nada a ver com o marxismo, cujas políticas entopem as mulheres de contracepção e cuja obsessão pró-aborto se transformou em assassina insanidade ideológica. Aborto e contracepção não eram preocupações dos apóstolos, nem faziam parte de sua igreja.
Muito diferente da proposta de Platão, que queria todas as crianças sob controle estatal o mais cedo possível, a proposta dos apóstolos não tirou as crianças da esfera de suas famílias. Nesse sentido, o modelo da igreja primitiva também não tem nada a ver com o marxismo, que tira as crianças do lar e da autoridade dos pais a fim de doutriná-las na religião marxista.
A meta das ideias de Platão e da ideologia socialista é impor sobre toda a sociedade uma política de nivelamento, onde o controle do Estado é absoluto sobre todos na área econômica, moral, sexual, legal, etc.

As igrejas europeias de Paulo eram diferentes da igreja de Jerusalém

A meta dos 12 apóstolos nunca foi impor sobre todas as igrejas seu modelo — e muito menos impor sobre a sociedade por meio do Estado, como tipicamente fazem os adeptos da Teologia da Libertação. Pelo contrário, havia liberdade para todas as igrejas.
Enquanto a igreja de Jerusalém, comandada por 12 apóstolos, estabelecia a entrega de todos os bens, as igrejas europeias do Apóstolo Paulo seguiam uma direção muito diferente. Paulo queria todos trabalhando independentemente e cuidando de seu próprio sustento. Nada de vida comunal e entrega de todos os bens a Paulo.
Paulo tinha total liberdade de agir diferente, pois na Bíblia não havia nenhum mandamento ordenando que os seguidores de Jesus são obrigados a depositar tudo aos pés dos apóstolos. Ele simplesmente viu tal medida como uma orientação dos apóstolos de Jerusalém que, conforme o próprio Paulo dizia, não eram perfeitos. (Confira Gálatas 2.)
A grande vantagem de ser diferente para Paulo foi que, quando uma crise internacional de fome atingiu o Império Romano inteiro — inclusive as igrejas de Paulo e as igrejas dos 12 apóstolos em Jerusalém —, as igrejas dos 12 apóstolos na Judéia e Jerusalém começaram a passar fome, enquanto que as igrejas de Paulo na Europa, atingidas pela mesma fome, não só conseguiram ter forças durante a crise como também mandaram ajuda para as igrejas dos 12 apóstolos.

Usando o Estado para impor sobre a sociedade um pervertido modelo apostólico de igreja?

Embora os marxistas e seus aliados de rótulo cristão aleguem que o marxismo nasceu na igreja primitiva, nenhum modelo comunista, marxista ou socialista colocou apóstolos na liderança suprema do governo. Eles só colocaram ditadores sanguinários. Esse modelo também violou sistematicamente a integridade da família, ao pressionar as esposas a entrar no mercado de trabalho e ao impor leis que obrigam as crianças a ficar sob controle estatal através das escolas.
Com genuínos apóstolos no governo, um sistema baseado na igreja primitiva jamais cometeria tais abusos. Um sistema baseado no modelo da igreja primitiva teria apóstolos na liderança. Com apóstolos na liderança, o aborto não teria vez. O homossexualismo não teria vez. Escravidão educacional estatal para as crianças não teria vez. Esposas obrigadas a trabalhar fora por pressões de pérfidas políticas socialistas anti-família não teria vez.
Mas, em vez de uma real transferência do modelo apostólico para a esfera secular, o que vemos é o contrário. O modelo socialista, que expulsa as esposas e as crianças do lar para encaixá-las em metas socialistas, está dominando as igrejas. Mas o sistema apostólico não está dominando no mundo.
O modelo secular da tão chamada redistribuição de bens, supostamente baseado na igreja dos apóstolos, não respeita a autoridade apostólica, não respeita as famílias, não respeita os bebês em gestação, etc.
Enquanto o modelo apostólico era baseado no amor e na submissão dos membros à autoridade apostólica, o sistema socialista não envolve amor, compaixão e livre arbítrio, mas apenas uma suposta e forçada “compaixão” que invariavelmente termina em injustiças, ódio e assassinatos.

A teocracia socialista tem base na Bíblia?

O sistema socialista, com seus adeptos nominalmente cristãos que lhe emprestam um alicerce fraudulentamente baseado na primeira igreja apostólica, é nada mais do que uma teocracia pervertida, onde o deus central é o Estado humanista como supremo provedor de todas as necessidades humanas.
Essa teocracia é o maior desafio para os homens desta geração que querem, como Elias, servir a Deus numa sociedade onde todos, até mesmo muitos que usam o nome de Deus, estão prostrados diante do moderno Baal estatal, que impõe aborto e homossexualismo.
A compaixão do socialismo rouba das pessoas, fortalece um Estado tirânico e traz revoluções sangrentas (aborto, sexo livre e desenfreado, abusos sexuais em massa de crianças, infanticídio, abolição da família, abolição do papel da esposa, abolição da autoridade dos pais nas decisões de educação e saúde dos filhos, etc.), forçando todos os cidadãos a entregar seus recursos sob a alegação de que o Estado precisa para ajudar os pobres.
A compaixão de Deus não rouba de ninguém, não tem nada a ver com o Estado e fortalece as famílias, o papel da esposa dentro do lar, o papel do marido e pai, levando todos a contribuir, voluntariamente, para ajudar os pobres.
A teocracia socialista, que se veste de Estado laico, não tem compaixão nenhuma das famílias e seus valores, e muito menos dos cristãos e seus valores.
A teocracia socialista é fruto do pai da mentira, que promete tudo e finge compaixão, mas acaba sempre roubando, matando e destruindo.

Misericórdia sem misericórdia?

Ao alegar que está imitando a igreja primitiva, os estatistas marxistas violam uma separação necessária entre Estado e igreja, impondo sobre a sociedade um modelo de “misericórdia” sem a mínima misericórdia, e dispensando a necessidade indispensável de liderança apostólica cheia do Espírito Santo na administração da misericórdia.
Misericórdia e caridade forçadas não fazem parte de Deus e suas instruções na Bíblia, mas são partes integrantes de todo sistema socialista. Quer queiram ou não, todos são obrigados a pagar impostos mais elevados para sustentar as políticas socialistas supostamente de “misericórdia e caridade”. No plano de Deus, a misericórdia e a caridade dependem exclusivamente do livre arbítrio do cidadão, que é livre para contribuir, pois Deus não o obriga nem lhe cobra impostos para uma misericórdia e caridade forçada. Deus não tem esse nível de tirania.
Quando substitui as funções de misericórdia de Deus, da família e da igreja, o Estado marxista comete um erro fatal — contra o povo, é claro. Não é a toa que o comunismo — que alegadamente quer tudo em comum para todos — tenha assassinado mais de 100 milhões de homens, mulheres e crianças.
O modelo da igreja primitiva, que jamais foi seguido pelo apóstolo Paulo, era livre. Não era estatal. Não era ideológico. Não era imposto pela força da lei a todas as igrejas, muito menos a toda a sociedade. As igrejas hoje que quiserem segui-lo, são livres. Mas o Estado não pode impô-lo, nem tê-lo sem estabelecer primeiramente na liderança governamental a devida autoridade apostólica cheia do Espírito Santo.
O modelo apostólico não envolvia nenhuma ideologia feminista. Não envolvia aborto. Não envolvia homossexualismo. Aliás, o assistencialismo da igreja primitiva não era liderado diretamente pelos apóstolos.
Por isso os Doze reuniram todos os discípulos e disseram: “Não é certo negligenciarmos o ministério da palavra de Deus, a fim de servir às mesas. Irmãos, escolham entre vocês sete homens de bom testemunho, cheios do Espírito e de sabedoria. Passaremos a eles essa tarefa e nos dedicaremos à oração e ao ministério da palavra”. (Atos 6:2-4 NVI)
Tentar transferir para o Estado um modelo criado exclusivamente para determinada igreja beira à heresia.
Portanto, a teocracia socialista tem de sofrer resistência de todos os cristãos genuínos, que deveriam apoiar para o Estado o dever de seguir apenas modelos de governo que não interfiram na esfera da igreja e das famílias.

O Estado é a igreja?

O Estado não deveria impor sobre a sociedade a conversão forçada dos cidadãos ao Cristianismo. E o que os “cristãos” marxistas querem é muito parecido: eles querem que o Estado force sobre a sociedade as decisões particulares dos apóstolos que visavam exclusivamente a uma igreja determinada, não a todas as igrejas e muito menos à sociedade secular.
Entretanto, o mais importante é que o Estado que esses pseudo-cristãos querem não é a imagem da igreja primitiva, por mais que aleguem ao contrário. Esse Estado é a imagem das ideias de Platão, das ideias de Marx, das ideias de Stalin.
O modelo apostólico era voltado exclusivamente para a igreja, só aceitando ajudar os mais pobres — que na época eram as viúvas — que tivessem um currículo de bom testemunho (confira 1 Timóteo 5:3-16). Viúvas desamparadas e outros pobres não cristãos não faziam parte da assistência material apostólica. As viúvas cristãs desamparadas precisavam preencher certos requisitos antes de serem aprovadas para receber ajuda, pois os apóstolos eram muito criteriosos e seletivos. Dentro das igrejas apostólicas, o simples rótulo de cristão não garantia assistência material para as viúvas.

Deus aprova roubar em nome dos pobres?

O que os cristãos marxistas fazem é apoiar sistemas de governos que, a pretexto de ajudar os pobres, roubam, mediante políticas injustas de impostos, o dinheiro dos cidadãos que trabalham.
Os apóstolos não roubavam nem nunca recorreram ao Estado ou ao estabelecimento de leis estatais para tirar os bens das pessoas.
Portanto, usar o modelo apostólico de administração de igreja para sustentar um sistema de governo que rouba em nome da compaixão é uma perversão da missão da igreja e da missão do Estado.
A missão da igreja — que são os cristãos lavados pelo Sangue de Jesus e comprometidos com Ele — é pregar o Evangelho a todos e dar assistência material aos pobres exclusivamente conforme o critério apostólico.
A missão do Estado é não interferir nem substituir a igreja nessas importantes funções.
A missão do Estado é exclusivamente manter a ordem social e punir os criminosos, preservando assim um ambiente social pacífico em que a sociedade e a igreja possam desempenhar tranquilamente suas funções.
Eu não sei bem como seria uma sociedade administrada pelos apóstolos. Mas não seria uma sociedade com aborto e homossexualismo. Enquanto “cristãos” da teologia marxista se mobilizam por qualquer político que tenha como propaganda “ajudar os pobres”, os apóstolos seriam, como sempre, criteriosos e seletivos. Eles não cometeriam o erro tão comum dos “cristãos” marxistas de entregar populações inteiras a governantes que, em nome de uma compaixão pelos pobres, impõem a tirania marxista, com muito derramamento de sangue, ou por revoluções ou pelo aborto.

Teocracia socialista no Antigo ou Novo Testamento?

Os juízos e cobranças de Deus contra o Estado de Israel no Antigo Testamento são abundantemente usados pelos adeptos da teologia da missão integral como prova de que Deus quer um Estado comprometido com sua visão socialista. Mas há problemas sérios nessa interpretação. O Israel do Antigo Testamento era teocrático e misturava e encarnava funções de Estado e Igreja. Somente um Estado teocrático pode fazer essa mistura.
Contudo, no Novo Testamento, o Apóstolo Paulo essencialmente “desteocratizou” o Estado, reconhecendo-lhe apenas, conforme desígnio de Deus, a responsabilidade de castigar os maus e elogiar os bons. Às igrejas fica a responsabilidade de mostrar a compaixão e amor de Deus à sociedade, inclusive atuando como consciência moral e profética do Estado, nunca o usando para impor, em nome de uma misericórdia ou caridade forçada, sobre a sociedade ideologias estranhas ao Evangelho. Às igrejas também fica, conforme os rigorosos critérios apostólicos já estabelecidos, a responsabilidade de dar ajuda material aos pobres dentro da igreja.
A teocracia socialista, com toda a sua pregação de compaixão pelos pobres, sua obsessão pelo aborto e homossexualismo e roubo e controle sistemático dos cidadãos através de iníquas políticas de impostos, não espelha o modelo de administração que havia na igreja dos 12 apóstolos. Não espelha também o coração de Deus, que quer que todo ato de ajuda aos pobres, na igreja ou na sociedade, seja feito voluntariamente por amor, não por força, violência ou impostos.
Nem o Estado tem direito de tirar das pessoas o livre arbítrio de decidir livremente o que fazer com o que ganham com seu trabalho. Afinal, por mais que Deus ame os pobres, um dos Dez Mandamentos não é sobre ajudar os pobres, mas uma proibição categórica de não se roubar. Uma proibição que vale tanto para uma pessoa quanto para o Estado.
E o primeiro mandamento não é “adorar o Estado acima de todas as coisas”. É adorar a Deus acima de todas as coisas. Só isso já é suficiente para mostrar que a pregação dos “cristãos” progressistas não tem nada a ver com a pregação dos 12 apóstolos e de Paulo.
Só isso já basta para tornar completamente desnecessário, ilegal e criminoso todo sistema de governo baseado na teocracia socialista, que coloca o Estado como supremo deus “compassivo” e provedor de tudo acima do único e verdadeiro Deus compassivo e provedor de tudo.
Divulgação: www.jorgenilson.com