Seguidores

4 de mai de 2009

Refutação aos argumentos das testmunhas de Jeová

Autor :Prof. João Flávio Martinez

DEVE-SE CRE NA TRINDADE?

(Refutação aos argumentos das testemunhas de Jeová)

Cabe-nos destacar cuidadosamente a fragilidade das refutações das TJ quanto a alguns versículos que falam a favor da Trindade na obra: “Deve-se crer na Trindade?”.



João 1:1 - Eles admitem que o contexto é decisivo, mas não citam nem sequer fragmento de prova do contexto de Jo. 1.1. Antes, simplesmente reafirmam sua conclusão sobre “toda a Bíblia”. Admitem que o contexto é decisivo, mas nada conseguem encontrar nesse contexto que sustente a sua opinião, então simplesmente ficam sem argumento. Portanto, tendo reconhecido a regra de Colwell, ainda assim sustentam sua opinião sobre Jo 1.1, mas sem nenhuma prova. Sustentar uma opinião sem evidência que a comprove é simplesmente irracional.

A Brochura (Deve-se crer na Trindade?) como um todo tem um verniz de obra acadêmica para leigos, pois cita dezenas de teólogos e livros de referência acadêmicos (sempre sem a documentação adequada). Todavia, muitas citações são apresentadas fora do contexto e torcidas para afirmar algo que os autores jamais pretenderam dizer, e outras vêm de estudiosos liberais católicos ou protestantes, os quais questionam, eles mesmos, a doutrina da Trindade e a veracidade da Bíblia.

João 20:28 - O livrete Shozdd You Believe in Me Trinily?, das testemunhas-de-jeová, dá duas explicações para Jo 20.28: (1) “Para Tomé,Jesus era como “um deus”, especialmente diante das circunstâncias miraculosas que suscitaram essa exclamação (p. 29). Mas essa explicação não convence, pois Tomé não disse: “Tu és como um deus”, mas antes chamou Jesus de “Deus meu”. O texto grego traz o artigo definido (não se pode traduzir “um deus”) e é explícito: ho theos maus e não um “deus meu”, mas “Deus meu”.

(2) A segunda explicação é que “Tomé pode simplesmente ter feito uma exclamação emocional de espanto, dita a Jesus mas dirigida a Deus (ibd). A segunda parte da frase, “dita a Jesus mas dirigida a Deus” é simplesmente incoerente: parece significar “dita a Jesus mas não dita a Jesus”, que não só é uma autocontradição, mas também impossível — se Tomé está falando com Jesus, está também dirigindo as suas palavras a Jesus. A primeira parte da frase, a alegação de que Tomé não chama de fato Jesus de “Deus”, mas meramente exclama ou profere algumas palavras involuntárias de admiração, não tem valor, pois o versículo deixa claro que Tomé não estava falando ao léu, mas diretamente a Jesus: “Respondeu-lhe Tomé: ‘Senhor meu e Deus meu!’ (Jo 20.2 8). E imediatamente Jesus e João, no texto, elogiam Tomé, certamente não por ter ele feito uma exclamação qualquer, mas por acreditar em Jesus como seu Senhor e seu Deus.

Tito 2.13 e 2 Pedro 1.1 – Ambos têm notas marginais na NSV nas quais se alude a Jesus como outra pessoa que não “Deus”, não sendo portanto chamado Deus: “o grande Deus e o nosso Salvador Jesus Cristo” (Tt 2.13 ) e “nosso Deus e o Salvador Jesus Cristo” (2Pe 1.1 ). Essas traduções alternativas são gramaticalmente possíveis, mas improváveis. Os dois versículos têm a mesma construção em grego, na qual um artigo definido rege dois substantivos unidos pela palavra grega que significa e (kai). Em todos os casos em que essa construção é encontrada, considera-se que os dois substantivos estão unidos de algum modo, e muitas vezes são dois nomes distintos para a mesma pessoa ou coisa. Especialmente importante é 2Pe 1.1, pois exatamente a mesma construção é usada por Pedro três outras vezes neste livro para falar de “nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe 1.11; 2.20; 3.18). Nesses três outros versículos, as palavras gregas são exatamente as mesmas, exceto que se usa o termo Senhor (kyrios) em lugar do termo Deus (theos). Se esses três outros exemplos estão todos traduzidos como “nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”, como acontece na maior parte das versões, então a coerência exigida aparentemente a tradução de 2Pedro 1.1 como “nosso Deus e Salvador Jesus Cristo”, em nova referência a Cristo como Deus. Em Tt 2.13, Paulo escreve sobre a esperança da segunda vinda de Cristo, que os autores do Novo Testamento, coerentemente, descrevem em termos que enfatizam a manifestação de Jesus Cristo na sua glória, e não em termos que enfatizem a glória do Pai.

O texto na nota de rodapé na NVI (adotado com fraseologia semelhante pela RSV) dá:

“Cristo, que é sobre tudo. Seja Deus louvado para sempre!”. Mas essa tradução é bem menos provável, segundo a gramática e indícios contextuais, e justifica-se primordialmente com o argumento de que Paulo não se referiria a Cristo como “Deus”. A tradução que se refere a Cristo como “Deus acima de tudo”, é preferível porque: (1) o padrão normal de Paulo é bendizer a pessoa de quem ele acabou de falar, que nesse caso é Cristo; (2) o gerúndio grego õn, “sendo”. que faz a frase dizer literalmente “que, sendo Deus sobre tudo, é bendito para sempre, seria redundante se Paulo estivesse começando uma nova frase como quer a RSV; (3) quando Paulo, em outros pontos do texto, começa nova frase bendizendo a Deus, a palavra ‘Bendito” vem primeiro na oração grega (ver 2Co 1.3; Ef 1.3; cf o padrão de Pedro em lPe 1.3), mas aqui a expressão não segue esse padrão, tornando improvável a tradução da RSV. Ver Donald Gutbrie, New Testaznent Theology (Leicester: lnterVarsity Press, 1981), p. 339-40. Veja um tratamento definitivo de todos os textos do Novo Testamento que se referem a Jesus como “Deus” em Murray Harris,Jesus as God (Grand Rapids: Baker, 1992).

lTm 5.21 não deve ser tomado como contra-exemplo dessa afirmação, pois ali Paulo simplesmente alerta Timóteo da presença de uma multidão de testemunhas celestes, divinas e angelicais, que ele sabe que observam a conduta de Timóteo. E semelhante à menção de Deus, de Cristo, dos anjos do céu e dos “espíritos dos justos aperfeiçoados” em Hb 12.22-24, em que se alude a uma grande assembléia celeste. lTm 5.21 deve portanto ser tida como uma passagem significativamente diferente das passagens trinitárias mencionadas acima, pois essas falam unicamente de atos divinos, como a distribuição de dons a cada cristão (lCo 12.4-6) ou a menção do nome em que todos os crentes devem ser batizados (Mt 28.19).

1 Co 8:6 não nega que Deus Filho e o Espírito Santo são também “Deus”, mas aqui Paulo diz que Deus Pai se identifica como esse “um só Deus”. Em outros lugares, como já vimos, ele fala de Deus Filho e do Espírito Santo como “Deus” também. Além do mais, nesse mesmo versículo, ele fala de “um só Senhor,Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por ele”. Aqui ele usa a palavra Senhor no pleno sentido que ela tem no Antigo Testamento, de “Javé” como nome de Deus, e diz que essa é a pessoa pela qual todas as coisas foram criadas, afirmando assim também a plena divindade de Cristo, mas com um nome diferente. Portanto esse versículo afirma ao mesmo tempo a unidade de Deus e a diversidade de pessoas em Deus.


Autor: Prof. Jão Flavio Martinez

É fundador do CACP, graduado em história e professor de religiões.

Nenhum comentário: