Seguidores

13 de dez. de 2008

EBD - ESCOLA BIBLICA DOMINICAL

ESCOLA BIBLICA DOMINICAL

Lição 11 - A Completude da Bíblia
Leitura Bíblica em Classe2 Pedro 1.16-21; 2.1Introdução
I. A Completude da Bíblia
II. Deturpação da Completude da Bíblia
III. Agressões à Ortodoxia Bíblica
Conclusão:
Título deste subsídio: A Completude da Bíblia

Autor: Elinaldo Renovato de Lima (comentarista da lição deste trimestre)

Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro (Ap 22.18).
A Bíblia é o livro completo. Comete pecado abominável qualquer que adicionar ou subtrair alguma coisa ao seu conteúdo divinamente inspirado. Os livros, escritos por inspiração humana, podem sofrer revisões ou atualizações. Muitos autores escrevem sobre temas que precisam passar por modificações as mais diversas, visto que se referem às coisas humanas, que são mutáveis e falíveis. No entanto, em se tratando da Bíblia Sagrada, esse fato não pode acontecer.
Em primeiro lugar, porque o seu autor, que é Deus, pela iluminação do Espírito Santo, atuando sobre a mente dos escritores humanos, não falha. Diz a Bíblia: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação” (Tg 1.17).

Em segundo lugar, em decorrência da infalibilidade de Deus, sua Palavra também não falha, não passa, não precisa de revisão ou de atualização: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” (Mt 24.35). Os escritores humanos da Bíblia, foram homens falhos, mas foram usados por Deus como instrumentos da transmissão escrita de sua Palavra, por inspiração e revelação, sob a coordenação e supervisão do Espírito Santo. Este é o Editor divino da Bíblia.

O grande perigo (que se constitui pecado gravíssimo), das tentativas de revisões dos textos sagrados, é o surgimento de heresias que acabam servindo de ensino e que dão base às seitas e falsas religiões e movimentos pseudocristãos. Quando alguém, em sua carnal presunção, sente-se com autoridade para acrescentar palavras ou sentenças à Bíblia, visando adaptá-la às visões modernas ou pós-modernas do mundo, geram verdadeiros monstrengos doutrinários, que induzem muitos ao erro, cometendo verdadeira impiedade. Diz a palavra: “Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados” (2 Tm 3.13).

A Bíblia, no seu conteúdo inspirado por Deus, não precisa de qualquer revisão, atualização, ou adaptação. O que se pode admitir é a revisão das traduções, ou das versões, em termos lingüísticos ou semânticos, desde que não seja alterado o sentido das palavras, com base nos textos originais mais antigos. Ela tem a completude necessária para se impor como o Livro de Deus para a humanidade.

I – O QUE É A COMPLETUDE DA BÍBLIA
Completude quer dizer: “Caráter do que é, ou está completo”. Homens escreveram os livros da Bíblia. Mas o seu conteúdo, como mensagem de Deus aos homens, está completo em si mesmo. Nada se pode acrescentar ou diminuir a esse conteúdo, inspirado, revelado, pleno e inerrante. Traduções, versões, interpretações ou visões acerca da Bíblia podem ser emitidas, divulgadas, estudadas, aceitas ou rejeitadas. Ela é completa em todos os seus aspectos fundamentais.

1. ELA É COMPLETA EM SEU CONTEÚDO
No âmago de sua essência, o conteúdo da Bíblia não pode sofrer alterações. Tudo o que foi escrito teve a supervisão do Espírito Santo. Está escrito: “E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vosso coração, sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pe 1.19-21).

Conforme lemos no capítulo 8, ao longo de 1600 anos, Deus usou homens fiéis, comprometidos com a verdade, para reunir os textos bíblicos, que formaram o “cânon sagrado”. No meio de uma variedade enorme de livros, só passaram a figurar como canônicos aqueles que passaram por um crivo de muito critério e autenticidade.

A Bíblia, usada pelos evangélicos ortodoxos, possui 66 livros. A Bíblia, usada pelo catolicismo, contém 73 livros. Aquela, à luz das melhores análises, realizadas pelos estudiosos das Escrituras, demonstra ter a mais consistente coerência quanto à completude dos textos sagrados. Na Bíblia católica, aceita inclusive por certos ramos de denominações evangélicas, há os livros chamados apócrifos ou deuterocanônicos, que contêm mensagens destoantes dos demais livros. Por volta do ano 100 d.C., o cânon do Novo Testamento foi completado, encerrando, assim, o acervo de livros que haveriam de integrar a Bíblia Sagrada.

A Bíblia é a Palavra de Deus. Ela é “provada; é um escudo para todos os que nele confiam” (Sl 18.30). Os livros que integram a Bíblia têm passado pela “prova de fogo” da validade interna e externa. Os críticos, materialistas e ateus, têm procurado lançar dúvida e descrédito contra a Bíblia. Mas Ela tem resistido aos ataques do maligno. “Seca-se a erva, e caem as flores, mas a palavra de nosso Deus subsiste eternamente” (Is 40.8).
2. ELA É COMPLETA EM SUA MENSAGEM

A mensagem da Bíblia é completa. Tudo o que Deus quis, e quer, para o homem, no relacionamento entre ambos, está na Bíblia. A mensagem da Bíblia é tão elevada e tão profunda, que certo pensador disse: “Se o homem conseguisse cumprir os capítulos 5 a 7 de Mateus, que contém o Sermão do Monte, proferido por Jesus, a humanidade já estaria revivendo o Paraíso na Terra”.

1) Sobre a cosmogonia
A Bíblia, como Palavra de Deus, é a mensagem de Deus ao ser humano. A Bíblia tem a completa explicação sobre as origens do universo, da vida, do homem, dos demais seres vivos, da matéria e de todas as coisas. O relato do capítulo primeiro do Gênesis engloba todas as fases e processos pelos quais Deus, o Criador, fez surgir todas as coisas pelo poder de sua Palavra.

2) Sobre a salvação
A Bíblia é completa quanto à mensagem da salvação para o homem caído. Toda a mensagem da Bíblia revela o amor de Deus para com o homem, na criação, na Queda e na Redenção. Jesus Cristo é o tema central da Bíblia. Nela, não há lugar para outros salvadores, salvadoras, medianeiros ou medianeiras. Jesus disse: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6b). Disse Pedro: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4.12; 1 Tm 2.5).

3) Sobre a História
As falsas religiões, com seus falsos livros, vêem a História de modo cíclico. Isto é: tudo teve início e volta ao começo. Os espíritas crêem na reencarnação. A Bíblia mostra que a História é linear. Ela tem começo e fim. A História do homem teve começo, passou pela Criação, pela Queda e tem assegurada a Redenção, para os que buscam a Deus, por meio de Cristo, e terá um fim, na “consumação dos séculos” (Mt 13.49; 28.20). Depois do “fim” (Mt 24.14; 1 Co 15.24), haverá a continuidade dos propósitos de Deus para o universo, quando haverá “céus novos e nova terra” (Is 65.17; 2 Pe 3.13; Ap 21.1).
II – DETURPAÇÃO DA COMPLETUDE DA BÍBLIA

Ao longo dos séculos, a Bíblia tem sido o livro mais lido e o mais atacado pelas forças que se opõem à verdade da mensagem de Deus aos homens. Em vez de procurarem interpretá-la à luz de suas próprias páginas e textos ¾ A Bíblia interpreta a si mesma ¾ homens presunçosos, dominados pela ignorância ou pela soberba, procuram deturpar a Palavra de Deus. De diversas formas, os ímpios, em seu orgulho, procuram deturpar as idéias em torno da Bíblia. E o fazem de diversas formas.

1. POR ADIÇÃO
No Apocalipse, o Senhor Jesus falou a João, na Ilha de Patmos: “Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro” (Ap 22.18; grifo meu). Exemplo de adição é o que fizeram os russelistas ou Testemunhas de Jeová. Na Bíblia, no original grego, o texto de João 1.1, está escrito: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”.

Na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas (a “bíblia” deles), adicionaram o artigo indefinido “um”, descaracterizando o sentido do versículo: “No princípio era a Palavra e a Palavra estava com o Deus, e a Palavra era um deus...” Justificam essa mudança, no texto, alegando que, “pela ausência do artigo definido ‘o’ (hó), isso significa que Cristo era apenas um deus (com ‘d’ minúsculo), e não o Deus”1 (grifo e parêntese acrescentado). Note-se que, para Deus, acrescentam o artigo definido “o”, numa clara demonstração de que aceitam a divindade de Deus (Jeová), mas não aceitam a divindade de Cristo.

2. POR SUBTRAÇÃO
Diz o Apocalipse: “E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa, que estão escritas neste livro” (Ap 22.19; grifo meu). Críticos presunçosos têm procurado subtrair da Bíblia partes importantes, visando diminuir seu caráter divino e completo. Notadamente, os teólogos liberais procuram dessacralizar a Bíblia, chegando a ponto de dizer que Ela não é a Palavra de Deus; apenas a contém. Análises críticas, que seguem essa linha de pensamento, concluem que nem tudo o que está na Bíblia foi inspirado, ou mesmo revelado. Seus falsos doutores apregoam, nas universidades teológicas, que não se deve crer na concepção virginal de Cristo, em seus milagres, e até em sua ressurreição. Um dos maiores exemplos dessa mutilação bíblica é o que defendem os que fazem o Seminário de Jesus, nos EUA, que chegam a afirmar que apenas 18% do que está no Novo Testamento merece crédito.

3. POR MODIFICAÇÃO
Certas traduções da Bíblia, às vezes, visando contextualizar sua mensagem, ou adaptá-la aos tempos pós-modernos, modificam as frases dos textos bíblicos, de tal forma que descaracteriza todo o sentido doutrinário original. Há traduções da Bíblia que, no intuito de atender ao “politicamente correto”, em que todas as palavras “sodomitas” e “efeminados” foram tiradas do texto, e substituídas por outras, mais “amenas”.

Os russelistas (Testemunhas de Jeová) modificaram o texto original, que fala sobre “O Espírito de Deus”, como em Gênesis 1.2: “E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas”. Na “bíblia” deles, está escrito assim: “Ora, a terra mostrava ser sem forma e vazia, e havia escuridão sobre a superfície da água de profundeza; e a força ativa de Deus movia-se por cima da superfície das águas”.2 Com isso, reforçam a heresia que rejeita a doutrina da Trindade. Negam que Jesus é Deus e negam a divindade e a Pessoa do Espírito Santo.
4. POR SUBSTITUIÇÃO
Muitas religiões e seitas dizem crer na Bíblia, mas não a consideram a verdade absoluta de Deus para o homem. No catolicismo, as tradições, os dogmas, e interpretações do magistério têm praticamente a mesma autoridade da Bíblia Sagrada, ou a Ela se sobrepõem, com mais força e autoridade. No Concílio de Trento (1545), o Papa declarou que a tradição católica tem a mesma autoridade da Bíblia. Na verdade, na prática, a Bíblia é substituída pela tradição. Jesus reprovou os fariseus, dizendo: “invalidando, assim, a palavra de Deus pela vossa tradição, que vós ordenastes. E muitas coisas fazeis semelhantes a estas” (Mc 7.13). Em 1950, o Papa Pio XII proclamou que Maria ascendeu ao céu em corpo e alma, logo após a sua morte. Onde está escrito isso? Em lugar nenhum, na Bíblia. Mas os católicos crêem nesses dogmas com a mesma fé, ou mais, do que naquilo que está escrito na Bíblia.

O livro de Mórmon substitui a Bíblia para os adeptos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Os espíritas pregam que o espiritismo é a “Terceira Revelação”. A primeira, segundo seus ensinos, foi dada a Moisés; a segunda, através de Jesus Cristo. E a pretensiosa “terceira” e última é o espiritismo. Essa é uma característica marcante nas seitas e heresias: desprezar a Bíblia como única fonte de autoridade doutrinária, e achar que Ela não tem a revelação completa da parte de Deus. Mas Jesus disse: “Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão” (Mc 13.31).

III – AGRESSÕES À ORTODOXIA

1. LIVROS DITOS REVELADOS
Livros com “a última revelação” têm sido publicados e espalhados por todas as partes, levando milhares de pessoas ao erro e ao engano doutrinário. Supostos “contatos imediatos de terceiro grau” têm sido propalados por pastores e ensinadores de certas igrejas, com evidentes distorções da Palavra de Deus.

Neste aspecto, é grande o número de livros, de revistas, periódicos, e outras publicações, que divulgam mensagens heréticas, muitas das quais têm aparente conteúdo de verdade. Muitas vezes, misturam interpretações verdadeiras com as falsas, causando confusão na mente dos leitores. A chamada “teologia da prosperidade” usa e abusa dos textos bíblicos, visando demonstrar suas falácias para atrair os incautos. Grande parte dos crentes, de todas as igrejas evangélicas, e, principalmente, das pentecostais, jamais se deu ao trabalho gratificante de ler e estudar a Bíblia.

Quando surge uma “nova igreja”, uma “nova teologia”, uma “nova doutrina”, apresentando inovações e modismos, não poucos caem na armadilha das novidades. Haja vista a chamada “bênção de Toronto”, em que seus mentores e líderes apareciam como pessoas extremamente espirituais, levando as pessoas a um estado de verdadeiro transe emocionalista. Ali, muitos urravam como leão, dizendo estar cheias do Espírito do “Leão de Judá”; outras cantavam como galo, miavam como gatos, caindo ao chão. Há pouco tempo, no Jornal o Mensageiro da Paz, um dos líderes daquele movimento declarou para o mundo que tudo não passava de mistificação, engano e engodo, e até de influência demoníaca! A que ponto pode chegar uma comunidade, quando não se fundamenta na ortodoxia bíblica!

Bem disse Paulo: “Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Cl 2.8). Pedro advertiu: “E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição” ( 2 Pe 2.1).
Uma boa regra é: diante de qualquer doutrina, ensino, orientação, ou norma, confrontá-lo com a Palavra de Deus. Se não houver fundamento, claro, explícito, ou implícito, consistente, o crente não deve aceitá-lo. É necessário fazer como os cristãos bereanos, que ao ouvirem a palavra, examinavam “cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (At 17.11). Paulo, advertindo aos efésios, exortou-os, dizendo que Deus houvera dado ministros do evangelho, “querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente” (Ef 4.12-14).
2. EXPERIÊNCIAS PESSOAIS
No meio de muitas igrejas locais, principalmente nas de linha pentecostal, já é por demais conhecido o fato de que há muitos exemplos de pessoas, que se apresentam como sendo profetas, profetizas, videntes, ou mesmo pessoas que não possuem qualquer dom, afirmando que tiveram uma “revelação”, que “Deus falou com elas” sobre determinada coisa, sobre este ou aquele comportamento. E passam suas experiências para a congregação, na expectativa de que todos aceitem o que dizem como se fosse algo fundamentado na Bíblia. Há muitas “doutrinas”, no meio evangélico que surgiram de experiências pessoais.

Praticamente, todas as seitas surgiram assim. Uma profetiza (ou profeta) diz que viu, no céu, os dez mandamentos, e, um, brilhava mais do que os outros; e formula uma doutrina. Outro fundador de religião diz que um anjo lhe falou, e mostrou um livro. Outro diz que recebeu “a unção do riso”, e põe todas as pessoas para rir de modo descontrolado e irreverente. E afirma que Deus lhe revelou! Lamentavelmente, grande parte dos crentes não examina os fatos à luz da Bíblia. Mas prefere aceitá-los sem o senso crítico, porque o pastor, o missionário, ou a irmã de oração é uma serva de Deus, e tem autoridade. E, assim, as heresias vão proliferando. É assim que os falsos ensinos e as “vãs sutilezas” (Cl 2.8) tomam conta de muitas igrejas locais.
Nem profecia, nem sonho, nem revelação, nem experiência pessoal, por mais impressionante que seja, pode ser acrescentada ou substituir o que está escrito na Palavra de Deus.
3. MARKETING PERSONALISTA. DVD’S, CD’S, APOSTILAS, ETC.

Nos dias atuais, na “era da informação e da imagem”, da Internet, parece que menos crentes estão lendo a Bíblia. E muito menos a estudando. Mas aumenta, a cada dia, o número de pessoas, nas igrejas, acessando sites na Internet; baixando (fazendo download) vídeos e arquivos de mensagens e armazenando para seu deleite ou informação. Por um lado, nada há que reprovar, pois o acesso à informação, hoje, é bem mais amplo e ao alcance de todos. Porém, o que há de negativo é o fato de tantas pessoas, principalmente jovens, que jamais leram a Bíblia, estarem recebendo imagens e informações de segunda e de terceira mão, sem ao menos examinarem se elas estão de acordo com a Palavra de Deus.

Há pregadores que disponibilizam seus DVD’s e CD’s com suas mensagens. Em princípio, nada há de errado nisso. É uma forma de expor ensinos, estudos e mensagens. Há homens de Deus, que utilizam a mídia e seus produtos para disseminar a Palavra de Deus de modo ético e sincero. Mas há os que, tornando-se famosos, fazem uso da mídia para difundir mensagens sem fundamento bíblico, aproveitando-se do nome e da imagem que formaram diante do público. Passam a ser “gurus”, idolatrados e bafejados por admiradores e fãs.

Os tais comportam-se como astros de cinema, e mudam até o visual para agradar seus seguidores, induzindo-os a um verdadeiro culto à personalidade. Já vimos casos de DVD’s em que o pregador fala uma hora e não abre a Bíblia, ou cita textos, em que fundamente sua mensagem. Limitam-se a “massagear” o ego das pessoas, com mensagens triunfalistas, ou de auto-ajuda: “Você já venceu!”, “Eu profetizo vitória...!”, “Você é filho do rei; não pode ser pobre”; “Você não precisa mais orar! Deus já lhe deu todas as bênçãos celestiais!” “Declare, determine, decrete...!”

Esses pregadores não pregam se não receberem polpudos “cachês”, pois já entraram na era do marketing personalista, a exemplo dos cantores famosos, que não cantam para Deus, mas sim, por dinheiro. Como são “pop-stars” ou “celebridades”, o que eles dizem é aceito como verdade absoluta por seus admiradores, que nem sequer se dão ao trabalho de examinar as Escrituras.
4. NOVAS TEOLOGIAS
Modernamente, existem “novas” teologias, que procuram substituir a Bíblia em sua interpretação ortodoxa. Essas correntes teológicas têm influenciado grande parte do meio evangélico, quase sempre ávido por mudanças e inovações. Dentre essas novidades teológicas, destacamos as seguintes:

1) Teísmo Aberto
Como foi visto, no capítulo 1, existe o “Teísmo Aberto”, que é uma verdadeira aberração contra a interpretação honesta da Bíblia, que prega um “deus” fracassado, impotente, que ignora o futuro, falho e mutável. Em seus ensinos, querem mutilar a Bíblia, ao mesmo tempo, adicionando, subtraindo, substituindo, e modificando o verdadeiro sentido da Palavra de Deus como mensagem do Senhor ao homem caído.

2) Teologia da Prosperidade
Essa corrente teológica e doutrinária tem feito grande estrago no meio evangélico. Seus líderes difundem a idéia de que o crente em Jesus não pode ser pobre, nem pode ficar doente. Se isso acontecer, é porque há algo errado em sua vida: ou está em pecado ou não tem fé. É o cúmulo da precipitação no julgamento da espiritualidade das pessoas. E seus mentores dizem-se possuídos de autoridade divina.

Diz Hagin: “Você é tanto uma encarnação de Deus quanto Jesus Cristo o foi...” (Hagin, Word of Faith, 1980, p. 14). “Você não tem um deus dentro de você. Você é um Deus” (Kenneth Copeland, fita cassete The Force of Love, BBC-56). “Eis quem somos: somos Cristo!” (Hagin, Zoe: A Própria Vida de Deus, p.57). Baseiam-se, erroneamente, no Sl 82.6, citado por Jesus em Jo 10.31-39. “Eu sou um pequeno Messias”.3 Satanás, no Éden, incluiu no seu engodo, que o homem seria “como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gn 3.5). Isso é doutrina de demônio.
Em João 10.34, Jesus citou o Salmos 82.6, mostrando a fragilidade do homem e não sua deificação: “Todavia, como homens morrereis e caireis, como qualquer dos príncipes” (v. 7). “Deus não é homem” (Nm 23.19; 1 Sm 15.29; Os 11.9 Ex 9.14). Fomos feitos semelhantes a Deus, mas não somos iguais a Ele ¾ Deus é Onipotente (Jó 42.2); o homem é frágil (1 Co 1.25); Deus é Onisciente (Is 40.13, 14; Sl 147.5); o homem é limitado no conhecimento (Is 55.8,9). Deus é Onipresente (Jr 23.23,24). O homem só pode estar num lugar de cada vez (Sl 139.1-12)”.4
Diante desse ensino, pode-se entender porque os adeptos da doutrina da prosperidade pregam que podem obter o que quiserem, nunca sendo pobres, nunca adoecendo. É que se consideram deuses! Com autoridade suprema para decretar, determinar, exigir e reivindicar as promessas e bênçãos de Deus. À luz da Bíblia, tal comportamento equivale a orgulho, presunção e soberba. Eles não valorizam a completude da Bíblia. Usam certos textos, torcendo a interpretação e a aplicação, de forma a satisfazerem seus objetivos em busca de poder e fama sobre as comunidades carentes de conhecimento bíblico.
Não existe outro livro igual ou semelhante à Bíblia. Primeiro, porque Ela é a Palavra de Deus; segundo, porque seus textos, no que tange ao conteúdo inspirado e revelado por Deus, revelam a sua completude. Nada se lhes pode acrescentar ou diminuir, sob pena de maldição sobre quem o fizer. Basta que o homem, com humildade, curve-se diante da grandeza e da soberania de Deus, e aceite, pela fé, a sua mensagem para a humanidade.
Este texto faz parte do livro que acompanha a lição do trimestre.

Notas
1 GEISLER, Norman L. & RHODES, Ron. Resposta às Seitas, p.262.
2 Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, p.7.
3 Haggin, citado por haneegraf, p. 119.
4 LIMA, Elinaldo Renovato de. Perigos da pós-modernidade, p. 174,175.

Nenhum comentário: