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11 de nov de 2011

Estranhos cristãos

Estranhos cristãos

Leonardo Oliveira
O meu artigo sobre as posições ideológicas do juiz federal William Douglas, no que diz respeito ao casamento homossexual e aos evangélicos, causou certo celeuma a alguns cristãos de última hora, quando publicado no blog do meu amigo Julio Severo. Um deles, que ficou no anonimato, afirmou as seguintes palavras:
“Sou cristão, mas por favor,desculpe-me, mas religião dogmática não se mistura com Direito e evolução, mudanças comportamentais da sociedade”.
Aliados: juiz William Douglas e senador Marcelo Crivella
Estranho argumento de alguém “cristão”: o que ele quer dizer com “religião dogmática”? Quer dizer então que o sr. anônimo, quando sai de casa, deixa a sua religião em casa e acata a voz e os modismos do mundo? Sua fé não se mistura com os seus atos? E convém dizer: desde quando as “mudanças comportamentais da sociedade” significam necessariamente “evolução”? Esse sujeito dito “cristão” é tão cristão quanto qualquer cidadão de moral relativista e utilitária. Se ele vivesse na Alemanha Nazista, na Itália Fascista ou na Rússia bolchevista, perfeitamente acharia que a perseguição contra dissidentes e judeus ou deportação em massa de grupos sociais inteiros seriam apenas reflexos de uma “mudança comportamental da sociedade” e não algo que afeta uma moralidade que está acima de qualquer utilitarismo social. E por que o tal “cristão” se revolta contra os dogmas? A Constituição Federal não possui artigos que são dogmáticos na sua estrutura interna? O art. 5 da Constituição Brasileira não é uma cláusula pétrea, junto com o art. 60, que fala sobre a imutabilidade da forma federativa, do direito ao voto, da separação dos poderes e os direitos e garantias individuais? Que tal então relativizarmos o direito à vida, pelo simples fato de tal noção comum de direitos nascer da “religião dogmática” do cristianismo? Pelo jeito, o cristão de araque nem sabe ao menor o que significa um conceito dogmático. Mas ele tem outras pérolas:
“O casamento continua atrelado à concepção principiológica e valorativa da Bíblia, porém não é possível impor a Bíblia ao ordenamento jurídico nem a uma pequena parcela da sociedade a favor da união civil entre homossexuais, todos são livres para agir e pensarem da forma que quiserem.”
Se for possível rejeitar o casamento monogâmico e heterossexual, por continuar atrelado à concepção principiológica da bíblia, por que não legitimemos a poligamia, comum aos países islâmicos? Os movimentos homossexuais não estão impondo sua agenda, em detrimento do ordenamento jurídico? E quem disse que dentro das instituições, devemos agir e pensar de forma diferente? O casamento não é mero capricho dos desejos sexuais ou psicológicos incongruentes, mas um compromisso solene, que implica direitos, deveres e responsabilidades graves e leis, que afetam à comunidade como um todo. É a partir do casamento que se forma a família e os filhos. É a partir de uma família estruturada que se forma a boa prole. No entanto, esse “cristão” leviano, irresponsável, imaturo intelectualmente e tosco, não concebe a importância basilar da família na sociedade. Reduz tudo a mero capricho discursivo de juristas militantes. E repete apenas um lugar-comum da militância homossexual. E ele finaliza, com as seguintes palavras, fazendo coro à fraqueza intelectual de William Douglas:
“Jesus jamais impos algo a alguém. Parabéns ao Juiz William Douglas, homem culto, é uma pena que a maioria dos religiosos sejam tão ignorantes quanto os intolerantes homossexuais”.
Jesus Cristo pregou muita coisa considerada obrigação entre os cristãos. Ele mesmo nunca abdicou da importância da moral e dos costumes. E eles se fazem obrigatórios quando isso implica a orientação da comunidade e a proteção da família. Mas o cristão fajuto repete a mesma bobagem de William Douglas, nivelando a comunidade cristã à virulenta militância homossexual. Além de tolos, são intelectualmente estúpidos. Se dependêssemos de gente como William Douglas e seus acólitos, na defesa do cristianismo, a maioria dos cristãos estaria agora na cadeia.
Malgrado esse vendaval de besteirol pseudo-juridiquês, recebi outra crítica pomposa e vazia de outro colega da minha profissão, um certo Italo Fabian, que diz:
“Eu li o artigo do Dr. William Douglas na revista elencada e sinceramente discordo por completo do que foi dito no texto do Leonardo, sinceramente minha sensação foi a de que ou o Leonardo não leu o artigo realmente, ou o problema talvez seja de fato o "não saber ler", pois não há uma única crítica que ele tenha feito que se encaixe no que foi dito pelo Magistrado em lide”.
Até agora me pergunto o que o sujeito discorda de mim, já que ele não especifica nada. Diz apenas que não sei ler o que o Sr. Douglas disse. E usa aquela linguagem de causídico antipático e presunçoso, achando que explicou alguma coisa, quando na verdade é puro “jus enrolandi”: enrola, esperneia e não diz nada! E ele insiste no choramingo, nos seguintes dizeres:
“Eu nem mesmo evangélico sou e li o artigo várias vezes para tentar saber onde William Douglas disse as coisas alegadas pelo artigo aqui exposto. São comentários como os feitos aqui que me fazem perceber cada vez mais que a religião é uma opção cada vez menos viável para um mundo como nosso, pois são pessoas que pensam como vocês que terminam por fechar as portas para qualquer possibilidade de diálogo sério e inteligente”.
Curioso argumento. O sujeito não diz o porquê de sua discordância e apenas me rotula, junto com Julio Severo, como se sua opinião fosse algum tipo de verdade auto-evidente. Pura petição de princípio o seu argumento. Resta a ele nos provar, argumentativamente, por que eu não entendi a linguagem do Sr. Douglas, como também os motivos de ele crer que a religião é uma “opção cada vez menos viável”. Será mais viável a agendinha politicamente correta gay?
“Uma arrogância sem precendentes me pareceu circundar o que a maior parte dos comentários aqui expuseram, pois parecem realmente tentar garantir que os únicos valores e principios que devem valer são os do cristianismo e quê o valor da dignidade humana parece ser secundário em comparação com os principios do cristianismo”.
Deixa ver se eu entendi a linguagem falaciosa do nosso amigo. Quando alguém defende os princípios do cristianismo como valores supremos, é uma criatura arrogante? E quando alguém defende a agendinha gay sobre toda uma tradição estabelecida de dois mil anos de cristianismo é sinônimo de “progresso” e defesa do “valor da dignidade humana”? O mais engraçado é o causídico tolo dissociar o cristianismo do conceito da dignidade do ser humano, já que este princípio só existe, de fato, porque o cristianismo vingou no ocidente. Mas quem disse que os estudantes de direito ou advogados, na atualidade, possuem alguma cultura histórica elementar? Já vi colegas advogados ouvindo a música da banda Calypso; já vi amigos advogados lendo Paulo Coelho ou algo bem inferior como se fosse grande literatura; já vi advogados que não liam coisa alguma. Isto porque o movimento homossexual é um sinônimo de modéstia cristã: eles criam as chamadas leis “anti-homofobia”, que ameaçam criminalizar uma boa parte das opiniões e da moral da sociedade, e os arrogantes é que são os cristãos? A inversão psicológica deste sujeito é pior do que a esquizofrenia. Mas o rapazinho joga confete no seu amiguinho Douglas, como uma claque dando palmas para seu guru concurseiro:
“Pessoas como o Magistrado William Douglas me dão esperança de que ainda existam cristãos verdadeiros, intelectualmente honestos e cuja cristianismo vivido não o impede de ser sensato quanto à realidade do mundo em que vive”.
Neste ponto, não podemos tirá-lo da razão: William Douglas é a esperança de os cristãos, cedo ou tarde, terão seu direito de palavra tirada por gente como Italo Fabian, essa criatura maravilhosa do meio jurídico. E claro, “sensato” mesmo é mandar alguém pra cadeia porque disse que a bíblia acha o homossexualismo “abominação”. O cúmulo da sensatez mesmo é casar dois marmanjos brincando de casinha, um com véu e grinalda e outro brincando de noivo. Essa “realidade” do Sr. Italo é bem mais doentia do que um hospício. Talvez até o hospício tenha mais sensatez do que essas opiniões.
“Me parece que o magistrado sim possui princípios de respeito ao ser humano que acredito que são os mesmo que Cristo defendia”
Não sei qual Cristo o Sr. Fabian serve. Mas, com certeza, Cristo jamais apoiaria agendinha homossexual. E tampouco aceitaria colocar cristãos na cadeia, pelo simples crime de rejeitar o homossexualismo. Contudo, temos esses causídicos idiotas que conhecem Jesus Cristo através de um folhetim gay ou da Teologia da Libertação.
“Mas não vi a Cristo nem nos comentários e tão pouco nos posts aqui apresentados, lastimável que pessoas como vocês fechem a porta do que vocês acreditam ser o reino dos céus para pessoas como eu. Jamais gostaria de participar de um grupo que defende o quê vocês defenderam no artigo e nos posts”.
Mas é óbvio, sr. Italo Fabian: como a maioria da militância gay, você quer gente como nós na cadeia. Tudo em nome dos direitos humanos, da liberdade de expressão, da tolerância e do progresso da humanidade!
“Isso me faz lembrar o Jesus da bíblia”.
"Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando." Mateus 23:13
Cordial Abraço a todos”.
O nosso amigo distorce as palavras de Nosso Senhor e o fariseu hipócrita sou eu e Julio Severo? Não satisfeito, o Sr. Italo Fabian retruca mais outras palavras, que mais obscurecem o debate. Como o juridiquês não convenceu Julio Severo, que o mandou catar pulga de cachorro (uma provocação educada), o Sr. Fabian veio faz papel de vítima, quando na verdade, não retruca, não afirma, não confirma, enfim, não diz nada:
“Uma boa argumentação independe de curso universitário e portanto isso apenas ilustra o ‘No Sense’ de ter dito que ele é um advogado, não estamos avaliando aqui titulações, embora você pareça estar preocupadíssimo com elas. Uma pessoa que coloca um Blog no ar certamente precisa se responsabilizar pelo que escreve e estar disposto a receber críticas, mas me parece que esse é o único blog em que discordar é um pecado...”
Resta-nos saber onde Julio Severo diz que discordar dele “é um pecado”? Eu mesmo já discordei de Julio Severo várias vezes e ele nunca me inquiriu ou censurou. Pelo contrário, tenho até espaço no blog dele. No entanto, o Sr. Italo Fabian projeta nos outros o que é mero expediente dele: o único “pecado” de Julio Severo é defender alguns princípios do cristianismo sem as adaptações esdrúxulas e ridículas do Sr. Fabian, que quer agradar ao mundo, mesmo perdendo a sua alma. Curioso, porque o Sr. Italo Fabian não reconhece nem mesmo esse direito de discordar da parte de Julio Severo.
“Acredita mesmo que esse comportamento contraditório em um texto seu, realmente ajuda a você como cristão a mostrar a suposta transformação tão alegada pelo cristianismo? Alguém que faz acepção de pessoas como você fez entre eu e os anônimos é um demonstrativo claro de quê meu comentário apenas abriu um buraquinho em sua maneira fundamentalista de pensar sobre o que foi escrito pelo Leonardo”.
Só restou ao Fabian apelar ao argumento ad hominem, como se o “fundamentalismo” de Julio Severo desmerecesse as minhas palavras a respeito de William Douglas. O pior de tudo é que este sujeito faz pose de santinho, defendendo as piores hipocrisias e deturpações. Deforma a perspectiva cristã dos valores, denigre os cristãos, e sofisma até mesmo na pregação evangélica, para adaptá-la aos caprichos dos inimigos do Nosso Senhor. E ainda este sujeito diz que o cristão que defende o evangelho é ainda hipócrita como os fariseus? Isso não chega a ser nem mesmo hipocrisia. É uma distorção tal da realidade, que só mesmo uma pessoa espiritualmente muito doente pode chegar a tanto. Rezemos pelo Sr. Fabian e o perdoemos, porque simplesmente ele não sabe o que faz e tampouco o que diz.
Fonte: Conde Loppeux

Divulgação:www.jorgenilson.com

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