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31 de mar de 2012

Administrando conflitos (Parte 1)



Administrando conflitos (Parte 1)


Adaptação

De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Tiago 4:1

Já faz alguns anos que lancei o meu segundo livro “Reino em conflito” e desde então tenho visto que o que escrevi seria somente um grão de areia em um mar de conflitos e problemas de grandes proporções. Cada dia os conflitos eclesiásticos aumentam, o povo cristão se enfraquece, os escândalos aumentam; ação na justiça, que era coisa impensada no meio evangélico agora se tornou corriqueira. São pastores processando pastores, igrejas contra convenções e convenções contra igrejas. Não querem resolver situações, querem sair vitoriosos, custe o que custar. Não importa se está certo ou errado tenho que me safar desta. O que Tiago disse em relação aos conflitos existentes em nosso meio não surte mais efeito na vida de muitos. Falta temor, falta oração, falta temor a Deus.

Quando surgir um conflito em nosso meio, devemos enfrenta-lo usando a melhor abordagem espiritual possível. Devemos ter sempre o cuidado de só pedir vitória a Deus em oração se o que pedimos for realmente justo. Deus não ouvirá a oração de vingança. Às vezes é melhor perder um boi que comprometer toda a boiada. O bom senso, a visão espiritual, a luta em oração e até o prejuízo momentâneo é mais vantajoso que ir avante. Já tomei prejuízo financeiro com negócios entre irmãos, mas preferi ficar no prejuízo que levar para justiça. Tg. 5:11 “Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso”.

Há líderes eclesiásticos, que gastam muito dinheiro da instituição que preside somente para o seu capricho. Não tem a espiritualidade de ouvir Deus, de suportar as dificuldades, preferem amontoar ações intermináveis na justiça, que “perder” a pose. Também, não é com o dinheiro dele.

O que fazer para enfrentar esses conflitos?

Eis algumas sugestões dadas pelos expert neste assunto (acrescentei alguns comentários, os que estão entre parênteses e em negrito, que juguei necessários):

“Não varra os problemas para debaixo do tapete”

Vamos relacionar alguns passos, que você poderá tomar para solucionar um conflito, ou possíveis conflitos no seu ambiente de trabalho, neste caso, para pastores, os conflitos ocorrem muitas vezes na igreja ou instituições que presidem:

1. Procure soluções, não culpados:
→ É evidente que todo problema ou conflito tem uma causa, e, se você procurar, vai encontrar o culpado também. (às vezes, o culpado somos nós mesmos e não queremos dar o braço a torcer. Uma das virtudes do homem de Deus é reconhecer os seus erros. Isto está muito escassos hoje em dia).
→ Focalize sua atenção na solução que, a rigor, é a única saída para o desentendimento. (o foco geralmente é direcionado no outro, para destruí-lo)
→ Em grande parte das vezes, uma conversa sincera, respeitosa e objetiva evitará a repetição do ocorrido, desde que as causa sejam tratadas. (Falta essa prática em nosso meio. Não queremos dialogo, queremos submissão do outro por causa da posição que temos, separação, difamação, armação)

2. Analise a situação: Tg. 3:17 “Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia”
→ Faça as seguintes perguntas: QUAL? QUEM? O QUE? Desde QUANDO? ONDE? POR QUE ocorreu o conflito? Poderia ter sido evitado? (o orgulho e arrogância de muitos líderes, impedem pensar assim)
→ Busque alternativas de solução. (para muitos a única alternativa é a sua própria. Não há espaço para outros caminhos, tem que ser o meu)
→ Escolha a melhor alternativa com base nas informações à sua disposição. (a melhor alternativa, pensam alguns, é aquela me dará a vitória, não a solução do problema)
→ Implante e avalie. Ao implantar a solução, faça acompanhamentos periódicos.

3. Mantenha um clima de respeito:
→ Ao dialogar com a(s) parte(s) envolvida(s), evite todo o tipo de sarcasmo, ironia ou agressividade. (muitas vezes não há dialogo, há acusações e manipulações. Conheço líderes que se mancomunam para destruir o seu “oponente”, não importando se é irmão ou companheiro ministerial).
→ Aperfeiçoe a habilidade de ouvir e falar:
→ Não interrompa quando outra pessoa estiver se explicando.
→ Saiba ouvir e ouça também as entrelinhas. (é comum num ajuntamento, ouvir amarelo e dizer que foi vermelho, ou seja, torcer e levar os ouvintes a pensar que o que foi dito pelo outro foi outra coisa e não o que ele realmente disse)
→ Faça perguntas que levem ao esclarecimento do problema.
→ Pergunte qual é a sugestão da outra pessoa para sanar o conflito. (Sugestão? Só se for a minha! Eu tenho que estar por cima)

4. Seja construtivo ao fazer uma crítica:
→ As pessoas sentem-se acusadas e colocam-se na defensiva quando ouvem frases como: ”Você fez isso” ou “Você fez aquilo”. (você fez, eu não)
→ Evite também críticas vagas ou malfeitas do tipo: “Seu trabalho tem deixado muito a desejar”.
→ Da mesma forma, quando alguém lhe dirigir críticas vagas: ”Você é muito negativo” ou “Seu trabalho está abaixo da média”, solicite esclarecimentos.

5. Procure a solução ganha-ganha:
→ O ganha-perde ou perde-perde são as piores formas de solucionar conflitos. Procure a relação ganha-ganha em que ambos os lados saiam ganhando, sem impor ou humilhar a outra parte. (Hoje a visão é: eu ganho, você perde)
→ Por outro lado – felizmente – todas as pessoas evitam conflitos e tornam-se cooperativas sempre que percebem algo vantajoso para elas ou para o grupo.
→ Mostre, portanto, à outra parte o que ela tem a ganhar com a solução do conflito (ou o que ela tem a perder se perdurar), e terá dado um grande passo para a solução do desentendimento.

6. Aja sempre no sentido de eliminar conflitos: (não as pessoas) Tg. 4:17 “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado”.
→ Existem muitos métodos para eliminar comportamentos de resistência. Você poderá utilizar um ou vários desses métodos:
 Mostre um exemplo de sucesso.
 Dê uma garantia.
 Faça uma demonstração.
 Tente simplesmente ouvir.

7. Evite preconceitos: (e vingança)
→ Preconceitos são, talvez, os piores bloqueadores na administração de conflitos. Estão relacionados aos valores e crenças profundamente arraigados no íntimo das pessoas.
→ A própria palavra preconceito explica o seu significado: pré-conceito, isto é, conceito prévio.
→ É difícil libertar-se desses estereótipos, mas uma das melhores armas contra eles é imbuir-se e conscientizar-se de que cada caso é um caso, cada pessoa é uma pessoa, e que o problema deve ser administrado dentro de sua realidade única e específica. (para alguns, o que importa não é a pessoa, e sim o grupo a que ela pertence. Pertence ao meu grupo, então darei um jeito de eliminar o problema. Pertence ao outro grupo, darei um jeito de eliminar a pessoa)
→ Pense nisso da próxima vez em que tiver de solucionar um conflito sobre o qual você ache que já sabe tudo a respeito por já ter enfrentado situações iguais e pessoas parecidas.

8. Mantenha a calma:
→ Não reaja mal às más-notícias e, sobretudo, não se irrite se alguém discordar do seu ponto de vista. (um dos grandes males existente em nosso meio é a falta de autocontrole. Já vi líder perder a estribeira numa discussão)
→ Administrar conflitos significa também administrar a si mesmo e seu humor.
→ Devido a essa postura, os outros aceitarão sua liderança e passarão a confiar em você.
→ Converse com o objeto da discórdia exclusivamente entre os envolvidos, e abstenha-se de fazer propaganda, fofoca ou lançar boatos a respeito.
→ Convoque uma reunião para mais tarde ou para o dia seguinte e, enquanto isso faça o seu dever de casa. Analise bem a situação para estabelecer sua estratégia de abordagem.

9. Quando estiver errado, reconheça o erro: Tg. 3:2 “Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo”.
→ Isso não vai diminuí-lo ou torná-lo vulnerável, como muitos supõem.
→ Seu interesse não é provar que você é perfeito ou infalível, mas sim buscar a melhor solução para o conflito. (ah sim, seria bom que isso fosse verdade)

Se houver um conflito, enfrente-o, usando para isso a abordagem que melhor coadunar com o momento. Não ignore a situação, nem contemporize achando que o tempo sanará o desentendimento. O tempo quase sempre só agravará a discórdia. Pode, no entanto, haver situações especiais em que é mais vantajoso não encarar o conflito do que enfrentá-lo, pois a relação custo-benefício seria desfavorável. Neste caso, use o seu bom senso para discernir quando fazê-lo.


Fonte: condensado do livro “Manual do Chefe em Apuros”, de Ernesto Artur Berg, editora Makron Books, São Paulo.


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