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15 de jan de 2013

Sobre o Vestuário - John Wesley - Sermão 88


Sobre o Vestuário

John Wesley
Sermão 88

"Quanto ao adorno, que ele não seja aquele enfeite exterior – do uso de ouro, ou o luxo dos vestidos: 'mas o do íntimo do coração, naquele que não é corruptível, como o ornamento de um espírito manso e tranqüilo, que, às vistas de Deus, é de grande preço'".
 (I Pedro 3:3-4)


As palavras de Paulo são: (I Timóteo 2:9-10) "Eu quero que as mulheres se adornem com modestos; não com ouro, ou pérolas, ou vestidos custosos, mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras".

A questão é: Que dano causa, nos enfeitarmos com ouro, ou pérolas, ou vestuário suntuoso, supondo-se que você possa se permitir isto; ou seja: suponha que isto não fira ou empobreça sua família?

 O primeiro dano, é produzir orgulho, e, onde ele já existe, aumentá-lo. Quem quer que estritamente observe o que se passa em seu próprio coração, facilmente irá discernir isto. Nada é mais natural pensar, do que nos considerarmos melhores, porque estamos vestidos em melhores roupas; e dificilmente é possível a um homem usar de vestuário custoso, sem, em alguma medida, valorizar-se por causa dele.
 
Em Segundo Lugar.  O usar de vestuário vistoso e valioso, naturalmente tende a alimentar e aumentar a vaidade. Por vaidade, eu quero dizer aqui, o amor e desejo de ser admirado e elogiado. Cada um de vocês que é afeiçoado ao vestuário tem um testemunho disto, em seu próprio peito. Quer você confessará isto diante de homem ou não, você está convencido disto, perante Deus. Você sabe em seu coração, que foi com a intenção de ser admirado que você adornou-se desta forma; e que você não estaria aflito, se ninguém tivesse visto você, a não ser Deus e seus anjos santos. Agora, quanto mais você favorece este desejo tolo, mais ele cresce em você. Você tem vaidade suficiente pela natureza: mas, por favorecê-la desta forma, você a aumentar centena de vezes. Ó, pare! Anseie por agradar a Deus apenas, e todos esses ornamentos cairão.

 Em Terceiro Lugar. O usar de vestuário vistoso e valioso, naturalmente tende a produzir ira, e toda paixão turbulenta e inquietante. E é por isto mesmo, que o Apóstolo coloca este "adorno exterior", em direta oposição ao "ornamento de um espírito humilde e tranqüilo". Quão notavelmente, ele acrescenta "o que é aos olhos de Deus de grande valor!".

Do que o ouro ou pérolas, muito mais precioso,
E mais brilhante do que a estrela da manhã.

            Nada pode facilmente conceber, exceto se ele mesmo fizesse o triste experimento, o antagonismo que existe entre o "adorno exterior", e esta "quietude" interior "do espírito".  Você nunca poderá desfrutar totalmente disto, enquanto você estiver afeiçoado ao outro. Apenas, quando você se livra daquele "ornamento exterior", é que você pode, "na perseverança, possuir sua alma". Então, somente quando você tiver se livrado de sua afeição pelo vestuário, a paz de Deus reinará em seu coração.

Em Quarto Lugar. O vestuário vistoso e valioso diretamente tende a criar e inflamar a luxúria. Eu estive em dúvida, se nomeio isto de apetite brutal; ou, com o objetivo de poupar os ouvidos delicados, o represento, através de algum gentil circunlóquio. (Como o Deão, que, alguns anos atrás, disse à sua audiência, em Whitehall: "Se você não se arrepender, você irá para um lugar que eu tenho muitas maneiras de chamar, diante desta  boa companhia"). Mas eu penso que seja melhor declarar; uma vez que quanto mais a palavra choca seus ouvidos, mais ela pode fortalecer seu coração. O fato é claro e inegável; ele tem este efeito, tanto em quem usa, quanto em quem observa.

 Em Quinto Lugar: O usar de vestuário luxuoso é diretamente contrário ao ser adornado com as boas obras. Nada pode ser mais evidente do que isto: porque, quanto mais você gasta com seu próprio vestuário, menos você tem restante para vestir o nu, alimentar o faminto, abrigar os estranhos, aliviar aqueles que estão doentes, e na prisão, e diminuir as inúmeras aflições às quais somos expostos neste vale de lágrimas. E aqui não existe lugar para a evasão usada antes: "Eu posso ser tão humilde, ao vestir de outro, como em aniagem".  Se você pudesse ser tão humilde, quando você escolhe o vestuário suntuoso, assim como, quando você escolhe o vestuário simples (o que eu positivamente nego), ainda assim você não poderia ser tão beneficente, -- tão abundante em boas obras. Cada xelim que você poupa de seu próprio vestuário, você pode gastar em vestir o nu, e aliviar as várias necessidades do pobre, quem vocês "têm sempre consigo". Portanto, cada xelim que você gasta desnecessariamente em seu vestuário, e, em efeito, roubado do pobre! E de quantas oportunidades preciosas de fazer o bem, você tem se privado? Quão freqüentemente, você tem se incapacitado de fazer o bem, adquirindo o que você não precisava! Para qual finalidade você comprou esses ornamentos? Para agradar a Deus? Não; mas para agradar sua própria fantasia; ou para ganhar a admiração e aplauso daqueles que não eram mais sábios do que você mesmo. Quanto bem você teria feito com aquele dinheiro! E que perda irreparável tem você sustentado, ao não fazer isto, se for verdadeiro que o dia está à mão, quando "cada homem receberá sua própria recompensa, de acordo com seu próprio trabalho!".

Em Sexto Lugar. O utilizar-se de vestuário luxuoso, é diretamente contrário ao que o Apóstolo denomina de "o secreto do coração do homem"; ou seja, toda a "imagem de Deus", na qual fomos criados, e que está estampada, mais uma vez, no coração de cada crente cristão; -- contrário "à mente que estava em Jesus Cristo", e toda a natureza e santidade interior. Todo o tempo em que você é levado em consideração, neste adorno exterior, a completa obra interior do Espírito permanece imóvel; ou antes, retrocede, embora, pelos mesmos graus sutis e quase imperceptíveis. Em vez de crescer mais bem-intencionado, você está mais e mais mal-intencionado. Se você, alguma vez, teve camaradagem com o Pai e o Filho, isto agora gradualmente declina; e você inconscientemente afunda, mais e mais fundo no espírito do mundo, -- nos desejos tolos e prejudiciais, e apetites rastejantes. Todos esses males, e milhares mais, brotam de uma única raiz: -- a indulgência consigo mesmo quanto ao vestuário luxuoso. 

Divulgação: www.jorgenilson.com


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