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30 de out de 2013

O Deus do Islamismo é o mesmo Deus do Cristianismo?


O Deus do Islamismo é o mesmo Deus do Cristianismo?


As duas maiores religiões do mundo em número de adeptos são o cristianismo e o islamismo. As duas religiões estão ligadas historicamente pela história dos hebreus. O povo hebreu, segundo as escrituras judaicas, foi iniciado por um nômade chamado Abraão, por volta de 2000 a.C. Abraão teve dois filhos, Isaque e Ismael. Acredita-se que de Isaque vieram os atuais judeus e de Ismael vieram os atuais povos árabes. A tradição monoteísta de Abraão é de onde veio o judaísmo, que mais tarde culminou no cristianismo. Os povos árabes, cerca de 600 anos depois de Cristo, iniciaram o islamismo através de certas interpretações dos escritos judaicos e cristãos e novas revelações que teriam sido dadas a Maomé. Teoricamente, as religiões abraâmicas, ou seja, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo, possuem o mesmo D'us único como objeto de adoração. Entretanto, como vamos ver aqui, o Islamismo possui ideias radicalmente diferentes das cristãs sobre o próprio conceito de Deus, por isso concluiremos que ambas as religiões não adoram ao mesmo "Deus". Deixaremos um pouco de lado questões históricas relacionadas ao nome "Allah", que são muito polêmicas e merecem um estudo mais aprofundado. Para quem quiser há um excelente artigo em inglês aqui: http://www.answering-islam.org/Responses/Abualrub/allahs_identity.htm

Antes de começar qualquer argumentação, deve-se notar que tanto o cristianismo quanto o islamismo não são religiões unificadas, antes possuem várias ramificações que divergem em muitos ensinamentos. Mas tentaremos falar aqui da forma mais genérica possível, esclarecendo as diferenças mais fundamentais entre as duas religiões.

1. Jesus Cristo

Para os cristãos, apesar de Deus ser único, Ele possui uma tripessoalidade, e Jesus é considerado a 2ª pessoa da trindade. Jesus é Deus manifestado na forma humana, que veio ao mundo para ser condenado pelos pecados da humanidade e assim demonstrar seu amor pela mesma. Jesus pagou a dívida que a humanidade acumulou com sua rebeldia perante Deus através da sua morte, e depois foi ressuscitado, provando que a dívida havia sido paga.

Para os islâmicos, Jesus foi um dos profetas enviados por Deus, mas não foi o mais importante deles (este foi Maomé, ou Mohammed, como os árabes o chamam).

Há muitas evidências para a crença cristã na divindade de Jesus, e a maioria delas está nos escritos da Bíblia. Os islâmicos, entretanto, ignoram estas evidências negando a autenticidade histórica do Livro Sagrado. Vamos analisar de perto estas evidências:

a) Jesus considerou a si mesmo como o Filho Único de Deus, em contraste com a visão islâmica de ser apenas um profeta. Muitas falas de Jesus nos evangelhos demonstram isso, e segundo os historiadores do Novo Testamento podem demonstradamente autênticas, isto é, realmente proferidas pelo Jesus histórico. Por exemplo, a parábola dos trabalhadores da vinha em Lucas capítulo 20:

Então Jesus passou a contar ao povo esta parábola: "Certo homem plantou uma vinha, arrendou-a a alguns lavradores e ausentou-se por longo tempo. Na época da colheita, ele enviou um servo aos lavradores, para que lhe entregassem parte do fruto da vinha. Mas os lavradores o espancaram e o mandaram embora de mãos vazias. Ele mandou outro servo, mas a esse também espancaram e o trataram de maneira humilhante, mandando-o embora de mãos vazias. Enviou ainda um terceiro, e eles o feriram e o expulsaram da vinha.


Então o proprietário da vinha disse: ‘Que farei? Mandarei meu filho amado; quem sabe o respeitarão’. Mas quando os lavradores o viram, combinaram entre si dizendo: ‘Este é o herdeiro. Vamos matá-lo, e a herança será nossa’. Assim, lançaram-no fora da vinha e o mataram. 



O que lhes fará então o dono da vinha? Virá, matará aqueles lavradores e dará a vinha a outros". Quando o povo ouviu isso, disse: "Que isso nunca aconteça!"


O significado dessa parábola é claro. A videira ou vinha é uma árvore que frequentemente é utilizada para simbolizar Israel, na Bíblia. O dono da vinha é Deus, e os servos enviados são os profetas. O filho do dono da vinha é Jesus, que foi morto pelos judeus. Isto significa que Jesus claramente se via como o filho de Deus, mensageiro ultimo e distinto dentre todos os profetas. Mesmo os estudiosos céticos do novo Testamento, como o Jesus Seminar, admitem a autenticidade deste texto.

Os islâmicos argumentam que muitos destes textos podem ter sido posteriormente inventados para defender o conceito da divindade de Cristo. Mas existem outros textos nos mesmos Evangelhos que claramente não teriam sido inventado, pois lançam ideias que seriam dúvidas ou dificuldades em relação à divindade de Cristo para os crentes daquele tempo. Por exemplo, em Mateus 11.27, Jesus diz de si mesmo que "o Filho não pode ser conhecido". É improvável que a Igreja tenha inventado este texto. E a historicidade dessa citação é confirmada por um manuscrito chamdo "documento Q", que é uma fonte antiga compartilhada por Mateus e Lucas ao escreverem seus evangelhos.

Observe também o texto de   Marcos 13.32, onde o próprio Jesus se limita dizendo que não sabe a hora da Sua vinda. Se a Igreja estivesse querendo manipular informações para "inventar" a divindde de Cristo, é muito improvável que este texto tenha sido acrescentado depois, aliás, seria mais provável que ele fosse retirado da Bíblia, e de fato não foi.

O apologista cristão C. S. Lewis disse uma vez que "Ele [Jesus] não nos deu a escolha de ser apenas um grande homem". Jesus referia-se claramente a si mesmo como O Filho de Deus. Só nos restam três opções lógicas: ou Ele era um mentiroso; ou era um lunático delirante; ou realmente estava falando a verdade. Ele não pode ter sido apenas um "grande profeta".

É claro que só as palavras de Jesus não são prova suficiente da sua divindade. As evidências principais foram os seus feitos milagrosos, culimando na sua ressurreição, que pode ser investigada ainda hoje por meios históricos. O teólogo e filósofo William Lane Craig  possui um estudo extenso sobre as evidências históricas da ressurreição de Jesus. Se quiser saber sobre as evidências acerca da ressurreição de Jesus, veja a transcrição do debate entre William Craig e Bart Ehrman aqui ou leia o livro O Jesus dos Evangelho: Mito ou realidade?

2. O conceito de Deus
Há uma incompatibilidade filosófica no conceito de Deus e moralidade para o cristianismo e o islamismo. Embora ambas as teologias concordem em dizer que Deus é o maior ser concebível em grandeza e perfeição, o cristianismo apresenta Deus como todo-amoroso, conceito que é totalmente estranho ao islamismo.

Na Bíblia encontramos as seguintes palavras acerca do amor de Deus:

"Assim conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos nesse amor. Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele." 1 Jo 4.16

"Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor." 1 Jo 4.8


"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele."  Jo 3.16-17


"Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores."
Rm 5.8


"Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva." Ez 33.11a



O que o Alcorão diz sobre o amor de Deus:

No Alcorão o contraste é muito claro, encontramos referências frequentes, por exemplo: Deus não ama  os incrédulos; Deus não ama quem pratica o mal; Deus não ama o orgulhoso; Deus não ama os transgressores; Deus não ama o pródigo; Deus não ama os traidores; Deus é inimigo dos não-crentes. Em vez de todo-amoroso, o Deus Allah é chamado de "al-rahman al-rahim", todo-misericordioso. 

A questão do merecimento é também muito enfatizada pelo Alcorão. Por exemplo: "trabalhe e Deus certamente verá seu trabalho."; "toda alma pagar por aquilo que ela mereceu."; "aqueles que crêem, que fazem ações virtuosas, que fazem orações e dão esmola: seu salário espera com o Senhor."; "a aqueles que crêem e praticam a justiça, Deus mostrará amor." O amor de Allah é parcial, precisa ser merecido. 

Para os islâmicos, o próprio conceito de moralidade é diferente do cristão. A vontade de Allah arbitrariamente determina aquilo que é certo ou errados, e complementarmente a isto, os atributos de Allah são incognoscíveis e inacessíveis  à razão humana. No cristianismo, a moralidade é determinada pela vontade de Deus, mas isto não é arbitrário porque a vontade de Deus é "limitada" por seus atributos, que são bem conhecidos: bondade, amor, perfeição, santidade e justiça.

Conclusão

Me parece que o problema com o Islamismo não é que em relação à teoria da moralidade ou mesmo em relação às alegações históricas, mas sim que ele tem o Deus errado. É verdade que nossas obrigações morais são constituídas dos mandamentos de Deus. Mas os muçulmanos discordam dos cristãos em relação à natureza de Deus. Os cristãos crêem que Deus é um Deus amoroso, enquanto os muçulmanos acreditam que Deus ama somente os muçulmanos. Allah não tem amor pelos incrédulos e pecadores. Então, eles podem ser mortos indiscriminadamente. Além do mais, no Islamismo, a onipotência de Deus supera tudo, inclusive sua própria natureza. Ele é então absolutamente arbitrário na sua conduta com a humanidade. Em contraste, os cristãos sustentam que a natureza santa e amorosa de Deus determina seus mandamentos.

Também não fui muito profundo em algumas questões, recomendo mais uma vez um artigo excelente em inglês para aqueles que querem estudar mais detales sobre os conceitos de Deus no alcorão e na Bíblia: http://www.answering-islam.org/Shamoun/god.htm

Referência:

Debate entre Craig e Jamal Badawi na Universidade de Illinois em 1997
http://www.youtube.com/watch?v=_RIkWg4XuNk&feature=relmfu

Divulgação: www.jorgenilson.com

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