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31 de jul de 2008

A nova inquisição estatal

A nova inquisição estatal
Julio Severo

Vejam só como age o Estado abusivo. Eu queria só ver se o mesmo Estado aplicasse, nos alunos de escolas públicas, o mesmo rigor que está aplicando a famílias inocentes.A reportagem abaixo é da Globo. Quem quiser saber mais sobre o drama da família em questão, é só consultar o blog Escola em Casa: http://www.escolaemcasa.blogspot.com

Justiça determina que irmãos que são educados em casa façam uma prova
Meninos foram tirados da escola pelos pais há dois anos e meio.Pais sofrem processos cível e criminal e podem perder a guarda dos garotos.Fernanda Bassette
A luta de um casal de Timóteo (216 Km de Belo Horizonte) que está sendo processado criminalmente porque tirou os filhos da escola e resolveu educá-los em casa pode mudar de rumo: a Justiça decidiu que os dois meninos deverão fazer uma prova de conhecimentos gerais nos dias 28 e 29 de junho para avaliar se há ou não abandono intelectual - crime pelo qual os pais estão sendo processados. A notificação judicial foi feita para os pais dos meninos na sexta-feira (18).

Cleber de Andrade Nunes, 44, pai dos garotos, está esperançoso com a determinação do juiz da vara criminal. "No processo cível [por causa do descumprimento do ECA] nós fomos condenados sem antes sermos ouvidos. Pelo menos desta vez, no processo criminal [que acusa os pais de abandono intelectual dos filhos], o juiz quis ouvir os meus filhos e deu a eles a chance de fazer uma prova para mostrar que são capazes", disse o pai.

Serão duas etapas de provas. Uma elaborada e aplicada pela Secretaria Municipal de Educação de Timóteo e a outra pela Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais. O exame deverá englobar as disciplinas presentes no currículo da educação básica fundamental.

Leslie Nuccia Duarte Machado, pedagoga da Secretaria Municipal de Educação disse que alguns professores que estavam em recesso foram convocados para a elaboração da prova, já que o juiz determinou como prazo final o dia 30 de julho. Segundo Leslie, eles farão provas de matemática, geografia, ciências e história - já que os irmãos afirmaram para o juiz que estudam em casa português, inglês, hebraico e informática.

De acordo com Nunes, o filho Davi, que tem 15 anos, fará provas com conteúdos referentes ao currículo da 7ª e 8ª séries do ensino fundamental. Jonatas, de 14 anos, fará provas de conteúdo referentes às 6ª e 7ª séries. "Não sabemos como será a prova, se terá questões de múltipla escolha ou se serão questões discursivas. A gente espera apenas que as questões sejam realmente compatíveis com o que é ensinado nessas séries", disse Nunes.

A Secretaria de Educação de Minas Gerais informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a superintendente regional de ensino pediu à Justiça o adiamento das datas das provas porque os professores estão em recesso escolar e não teriam tido o tempo necessário para elaborar as provas adequadamente.

O G1 entrou em contato com o juiz do caso Eduardo Augusto Gardesani Guastini, que informou que ainda não recebeu nenhum pedido de prorrogação do prazo das provas e que só poderia analisar o pedido após ler as justificativas. O juiz afirmou, no entanto, que o prazo pode ser adiado - mesmo depois de os meninos terem sido notificados que as provas seriam aplicadas nos dias 28 e 29.

A decisão de tirar da escola
Os pais de Davi e Jonatas resolveram tirar os filhos da escola há dois anos, alegando a má-qualidade do ensino brasileiro. O problema é que a legislação brasileira não permite a educação em casa e obriga que as crianças sejam matriculadas nas escolas.

Nunes, o pai dos meninos, viajou para os Estados Unidos (onde o método é permitido) e conversou com famílias que educaram os filhos em casa. Se encantou com o projeto e resolveu aplicar a mesma coisa dentro de casa. "Comprei todo material que os americanos usam. Eu não concordo que meus filhos fiquem presos a um currículo", disse.

Um conhecido da família resolveu dedurar a decisão de Nunes para a o Conselho Tutelar - que foi investigar o caso. "Eles chegaram aqui achando que a gente estava explorando nossos filhos, sabe? Colocando eles para trabalhar. E não é nada disso. Eles estudam seis horas por dia como qualquer outro jovem da mesma idade", disse.

Questionado sobre a importância de manter os meninos na escola para que eles tenham amigos e outro convívio social que não seja restrito à casa da família, Nunes tem a resposta pronta. "O único problema que eu vejo é que os horários deles podem ser diferentes dos horários dos meus filhos e isso acaba sendo um elemento dificultador. Mas a escola não é e nem será o último ambiente socializador. Meus filhos brincam e têm amigos", afirmou.

No processo cível, o casal foi condenado a pagar 12 salários mínimos e rematricular os filhos na escola. Nunes recorreu da decisão e agora aguarda ansioso o momento em que os filhos farão as provas para, enfim, mostrarem se têm ou não capacidade intelectual.
Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL689269-5604,00.html

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