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29 de jun de 2011

"Fundamentalistas ou religiosos autênticos?"

"Fundamentalistas ou religiosos autênticos?"

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Publicado em 27/06/2011 pelo(a) Wiki Repórter Jefferson Nóbrega, Brasília - DF

Jefferson Nóbrega - Blog Candango Conservador

Com as recentes e ainda bem vivas polêmicas em torno do PLC 122/2006 e do "Kit Gay", uma expressão ganhou o destaque de todos os esquerdistas, e passou a dominar todos os discursos dos opositores da livre expressão dos religiosos. Todos os que se opõem a militância homossexual passaram a ser classificados por estes como "fundamentalistas religiosos".

Isso pode ser visto por exemplo nas palavras do Dep. Jean Wyllys ao comentar a suspensão do Kit anti-"Homofobia":

Os representantes do fundamentalismo religioso no Congresso decidiram apresentar, à presidenta(sic), a conta do “apoio” dado na última eleição.
[1]

E também em outro artigo, onde denúncia uma suposta perseguição:

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) diz que pode acionar as cortes internacionais, baseando-se em tratados de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário, como resposta à “perseguição” sofrida pelos homossexuais por parte de fundamentalistas religiosos no país.[2] (Ainda bem que ele colocou o termo "perseguição" entre aspas).

O uso da expresão "fundamentalismo religioso" é essencial na estratégia esquerdista, pois sem à acusação em questão, sua luta contra as bancadas católica e evangélica ficaria em uma situação complicada. Eles estariam diante do seguinte problema: Como se opor aos religiosos inimigos da militância homossexual, sem parecer que estão em conflito com toda comunidade cristã do país?

E, é nesse exato momento em que surge o suposto "fundamentalismo religioso", pois classificando aqueles que lutam contra à "mordaça gay" como "fundamentalistas", exclui-se assim à acusação de que esses movem uma luta contra todos os Cristãos. Isso fica bem claro nas palavras de Jean Wyllys:

Se a perseguição sistemática aos homossexuais recrudescer por parte dos fundamentalistas religiosos – não me refiro à comunidade cristã como um todo, mas aos fundamentalistas, aqueles que usam a Bíblia para violentar a diginidade da pessoa humana.[2]

Partindo do que já foi abordado responderei as seguintes questões:

1.
Os opositores da militância homossexual são fudamentalistas religiosos ou religiosos de verdade?
2.
Os cristãos que se opõem à pratica homossexual "violentam a dignidade da pessoa humana"?
3.
Os ditos cristãos que apóiam a militância homossexual são cristãos verdadeiramente?

Sobre a Laicidade do Estado e a religião, recomendo a leitura de dois artigos:
1. Fundamentalistas Religiosos ou Religiosos de verdade?

Esse é o ponto crucial que precisa ser esclarecido. Seriam, por exemplo, os mais de 20.000 manifestantes que marcharam no dia primeiro de junho na esplanada dos ministérios contra o PLC 122/2006, todos fundamentalistas?

De início vos respondo: Não são fundamentalistas, são religiosos de fato!

Mas, é preciso deixar o assunto bem claro, e para que isso possa ser feito é indispensável que antes seja abordado um dos maiores males do mundo moderno: O relativismo religioso.

Relativismo Religioso

O relativismo é uma corrente de pesamento que nega que existam verdades absolutas e imutáveis. É totalmente anti-cristão, pois as verdades deixadas por Cristo são perenes e absolutas. Cristo disse "Eu sou a verdade", (Jo 14,6), sendo ele a própria verdade, é inadimíssivel para um cristão admitir que essa possa ser relativa, pois Cristo sendo Deus, é o mesmo de antes, de hoje e eternamente. A doutrina Católica é fundamentada em Verdades de Fé, sendo à aceitação dos dogmas uma condição sine qua non para se dizer Católico. Ou seja, de nada adianta declarar-se católico nas pesquisas do IBGE, ou mesmo ir a missa aos domingos, se não houver total aceitação ao magistério Católico, pois do contrário temos os chamados pseudo-católicos que dizem professar a fé católica, mas selecionam o que querem crer. Resumindo não são católicos.

Esse relativismo religioso teve seu advento à partir da Reformar Protestante, mas mesmo para os protestantes existem alguns "dogmas" necessários para a profissão de sua fé, são eles: Sola fide(somente a fé); Sola scriptura (somente a Escritura); Solus Christus (somente Cristo); Sola gratia(somente a graça); Soli Deo gloria (glória somente a Deus).[3]

Para ser Cristão é preciso viver em total acordo com os ensinamentos de Cristo e seus apóstolos. São Paulo em sua carta aos Gálatas diz: "Mas se alguém, mesmo nós ou um anjo do céu, vos anunciasse um evangelho diferente daquele que nós vos anunciamos, seja anátema!" (Gl 1,8). Portanto, aquele que se diz Cristão, mas prega o contrário da doutrina Cristã, deve ser anátema(excomungado), ou no outro sentido da palavra: Maldito! Palavras fortes, mas necessárias para que fique claro quem são os Cristãos e quem são os falsos cristãos.

É claro que o relativismo religoso é mais amplo, pois este engloba também o falso ecumenismo e o sincretismo,cuja condenação se encontra em dois documentos de São Pio X, a Encíclica Pacendicontra o modernismo e a Carta Apostólica Notre Charge Apostolique contra o Sillon, mas para o assunto que tratamos, a exposição desses aspectos da doutrina relativista não é necessária.

Tendo agora em mente o que é o relativismo religioso, retorno à pergunta inicial:

Fundamentalistas Religiosos ou Religiosos de verdade?


Aqueles que se opõem ao homossexualismo baseiam-se na doutrina Cristã, e a seguem em sua totalidade sem seleções. Estes não permitem que sua fé sejam alvo do relativismo religioso e moral.

São Paulo, em sua primeira carta aos coríntios diz claramente: "Acaso não sabeis que os iníquos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis, nem os crapulosos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas... hão de possuir o reino de Deus." (I Coríntios, IV, 9-10)

Na carta de São Paulo aos romanos, ele diz a respeito dos gentios: "Pelo que os entregou Deus aos desejos dos seus corações, à imundícia...Por isso os entregou Deus às paixões de ignomínia. Porque as suas mulheres mudaram o natural uso em outro uso, que é contra a natureza. E assim mesmo também os homens, deixado o natural uso das mulheres, arderam nos seus desejos mutuamente, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em si mesmos a paga que era devida ao seu pecado." (Romanos, I, 25-27).

Portanto, tendo em vista os versículos acima e o relativismo religioso, não é preciso muito para demonstrar que aqueles que os ativistas e a mídia esquerdista têm classificado como "fundamentalistas" são Cristãos de verdade. Ou seja, estratégicamente os críticos dos religiosos, deturpam o assunto colocando assim os relativistas como Cristãos verdadeiros e os Cristãos como fudamentalistas".

Respondendo à pergunta deste tópico:

Fundamentalistas Religiosos ou Religiosos de verdade?

Resposta: Religiosos de verdade

2. Os cristãos que se opõem à pratica homossexual "violentam a dignidade da pessoa humana"?

Aqui torna-se ainda abordar duas questões que são também são alvos do relativismo: A caridade e o amor Cristão.

A caridade e o amor no âmbito Cristão são duas coisas ligadas e inseparáveis. O Papa Bento XVI aborda muito bem o assunto em sua encíclica Caritas in Veritate:

Só na verdade é que a caridade refulge e pode ser autenticamente vivida. A verdade é luz que dá sentido e valor à caridade. Esta luz é simultaneamente a luz darazão e a da fé, através das quais a inteligência chega à verdade natural e sobrenatural da caridade: identifica o seu significado de doação, acolhimento e comunhão. Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente. É o risco fatal do amor numa cultura sem verdade; acaba prisioneiro das emoções e opiniões contingentes dos indivíduos, uma palavra abusada e adulterada chegando a significar o oposto do que é realmente. A verdade liberta a caridade dos estrangulamentos do emotivismo, que a despoja de conteúdos relacionais e sociais, e do fideísmo, que a priva de amplitude humana e universal. Na verdade, a caridade reflete a dimensão simultaneamente pessoal e pública da fé no Deus bíblico, que é conjuntamente «Agápe» e «Lógos»: Caridade e Verdade, Amor e Palavra” (Bento XVI, Caritas in veritate, n0 3 - Os negritos são meus).

A caridade na verdade, que Jesus Cristo testemunhou com a sua vida terrena e sobretudo com a sua morte e ressurreição, é a força propulsora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira. O amor — « caritas » — é uma força extraordinária, que impele as pessoas a comprometerem-se, com coragem e generosidade, no campo da justiça e da paz. É uma força que tem a sua origem em Deus, Amor eterno e Verdade absoluta. Cada um encontra o bem próprio, aderindo ao projeto que Deus tem para ele a fim de o realizar plenamente: com efeito, é em tal projeto que encontra a verdade sobre si mesmo e, aderindo a ela, torna-se livre (cf. Jo 8, 22). Por isso, defender a verdade, propô-la com humildade e convicção e testemunhá-la na vida são formas exigentes e imprescindíveis de caridade. Esta, de fato, « rejubila com a verdade » (1 Cor 13, 6) (Bento XVI, Caritas in veritate, n0 1- Os negritos são meus).

Não há caridade e amor sem verdade. É impossível separar ambos, como diz muito bem o Santo Padre, sem a Verdade a caridade é filantropia e o amor é sentimentalismo.

E é isso que os opositores dos religiosos defendem. Quando criticamos o homossexualismo é comum ouvir eles dizerem coisas do tipo: "Cristo ensinou-nos acima de tudo a amar", (setença verdadeira se não fosse excluído o caráter da verdade por quem a proclama) ou ainda absurdos como "Cristo tratou todos de maneira igual", (como se o tratamento que ele des aos seus apóstolos fosse o mesmo dado aos fariseus).

Não existe santidade sem caridade. E não pode existir a caridade sem a verdade. Ora, assim como só se pode dar a saúde combatendo a doença, também só se pode defender e ensinar a verdade, condenando o erro oposto a ela.[4]

Portanto, o combate ao homossexualismo deve ser feito não por ódio ao homossexual, mas por amor a ele, pois amando-o de forma cristã deseja-se que ele possa encontrar a verdade, que é Cristo Ressucitado e por consequência à libertação da sodomia.

Não usamos a bíblica para "violentar a dignidade da pessoa humana", pelo contrário, em pról da dignidade dos filhos de Deus, que combatemos lei que possam fomentar esse pecado. Nenhum de nós nunca concordamos com a violência aos homossexuais, e sempre a condenamos. O que defendemos é apenas o direito de sermos religiosos. Os que não crêem como eu creio, têm todo o direito de dizer que tudo que escrevi é baboseira, da mesmo forma que tenho o direito de dizer que o que ele defende é uma abominação para os VERDADEIROS cristãos. Em suma, é apenas o direito de liberdade de expressão!

A máxima de Santo Agostinho resume tudo isso: Odiai o erro, amai os que erram”.

3. Os ditos cristãos que apóiam a militância homossexual são cristãos verdadeiramente?

Fiz um berve pesquisa nos sites dos apoiadores do PL 122/2006 para identificar quem estes consideram como sendo Cristãos. Um dos principais exemplos que encontrei, foi as auto-intituladas "Católicas" pelo Direito de Decidir. Um exemplo providencial é o artigo "Estado Laico: O que é isso companheira?", que foi reproduzido em vários meios homossexuais e esquerdistas, desde o Portal do Grupo Gay da Bahia ao fórum do Portal esquerdista Luís Nassif.

Um trecho da carta supracitada é perfeito para responder à pergunta desse tópico:

Como Católicas pelo Direito de Decidir, repudiamos o uso das religiões neste contexto de manipulação política e afirmamos nosso compromisso com a laicidade do Estado, com a dignidade humana e nosso apoio ao uso do kit educativo pelo fim da homofobia nas escolas brasileiras.

Eis acima essas mulheres que se auto-intitulam "católicas", e são pessoas desse tipo que os militantes homossexuais e a esquerda consideram como "religiosos de fato".

As ditas "católicas" na verdade são um grupo anti-católico, como bem explicou o Arcebispo de Guadalajara, Cardeal Juan Sandoval Iñiguez: "umas mulheres ativistas que se denominam a si mesmos Católicas pelo direito a decidir, estão usando todos os meios ao seu alcance para difundir, dizem elas, a doutrina da Igreja que permite o aborto”. “Estas mulheres não são católicas”[5], e se fossem católicas já estariam excomungadas.

O Código de Direito Canônico é claro com relação ao aborto, no cânon 1398, pode-se ler: “Quem provoca o aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae”. Ou seja, o fiel que provoca o aborto, ou a ele se submete consciente e voluntariamente, está automaticamente excomungado, fora da Igreja e excluído dos seus sacramentos.

O Papa João Paulo II na Evangelium vitae deixa claro que a pena de excomunhão recai não só aos que praticam e colaboram com o aborto, mas também sobre os que apóiam e lutam pela sua legalização:

“A responsabilidade cai ainda sobre os legisladores que promoveram ou aprovaram leis abortivas, sobre os administradores das estruturas clínicas onde se praticam os abortos, na medida em que sua execução deles dependa. Uma responsabilidade geral, mas não menos grave, cabe a todos aqueles que favorecerem a difusão de uma mentalidade de permissivismo sexual e de menosprezo pela maternidade[...]. Não se pode subestimar, enfim, a vasta rede de cumplicidades, nela incluindo instituições internacionais, fundações e associações que se batem sistematicamente pela legalização e difusão do aborto no mundo” (encíclica Evangelium vitae, de 1995. n° 59)

Portanto, fica claro que as "Católicas" pelo Direito de Decidir, não é uma organização Católica e muito menos Cristã. Lembrem-se de quando abordei o relativismo e percebam agora o que quis dizer com "estratégicamente os críticos dos religiosos, deturbam o assunto colocando assim os relativistas como Cristãos verdadeiros e os Cristãos como fudamentalistas".

Conclusão

Percebemos assim que quando os militantes homossexuais e os esquerdistas movem uma batalha contra os que eles chamam de "fundamentalistas religiosos", na verdade movem disfarçadamente uma "guerra" contra os Cristãos autênticos. Um artigo que li e reproduzir esses dias, conclui muito bem tudo isso. Diz o texto:

Só uma mentalidade esquizofrênica consegue arrumar justificativas bizarras para tentar impedir que religiosos deem suas contribuições para o debate a respeito de temas tais como aborto, casamento gay, pena de morte, eutanásia, descriminalização das drogas etc.
(..)
Qual é o pano de fundo dessa esquizofrenia? É a maldita concepção ideológica, de origem positivista, que supõe que os fatos são distintos de valores. Valores foram jogados para o limbo da vida privada, enquanto os fatos se justificam à luz de meia dúzia de especialistas e seus infalíveis holofotes. [6]

Referências:


[1]http://jeanwyllys.com.br/wp/jean-wyllys-fala-sobre-a-suspensao-do-kit-anti-homofobia-e-questiona-onde-esta-a-defesa-dos-direitos-humanos-prometida-pela-presidenta-25-05-2011
[2]http://jeanwyllys.com.br/wp/deputado-ameaca-denunciar-o-brasil-por-perseguicao-a-homossexuais-10-06-2011
[3] http://www.monergismo.com/textos/cinco_solas/cinco_solas_reforma_erosao.htm
[4]http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=veritas&subsecao=religiao&artigo=caridade-verdade&lang=bra
[5]http://www.domluizbergonzini.com.br/2011/03/desmascarando-o-grupo-abortista.html
[6]http://www.franciscorazzo.com.br/index.php/cultura/estado-laico-esquizofrenia-positivista

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